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Presidente de transição do Mali anuncia "auditoria" contra a corrupção

O presidente de transição do Mali, coronel Assimi Goita, anunciou hoje uma "grande campanha de auditoria" da administração pública para combater a corrupção, apelou à "refundação da arquitetura política" do país, e referiu-se à realização de eleições.

Presidente de transição do Mali anuncia "auditoria" contra a corrupção
Notícias ao Minuto

17:41 - 22/09/21 por Lusa

Mundo Mali

Numa mensagem televisiva à nação para assinalar o 61º aniversário da independência do Mali, Goita manifestou-se empenhado em melhorar a segurança do país e referiu-se à realização de eleições gerais, sem, no entanto, avançar uma data específica quanto à data em que estas terão lugar.

Goita anunciou ainda a criação de uma escola militar para treinar os oficiais do seu exército, mas não abordou as negociações do seu governo para que a empresa de segurança russa Wagner treine os militares.

"Foi lançada uma importante campanha de auditoria do serviço público para controlar e combater a corrupção e a criminalidade financeira. Através desta luta, asseguramos ao povo do Mali que as suas expectativas serão satisfeitas e que não serão concedidos privilégios aos implicados (em corrupção)", disse Goita.

O presidente de transição prometeu que "nenhum sector será poupado" na auditoria, incluindo os sectores da defesa e da segurança, cujas leis, segundo o líder militar, "já estão a ser auditadas".

Como parte da campanha anticorrupção do atual governo de transição, o antigo primeiro-ministro e ministro da defesa do país, Soumeylou Boubeye Maïga, está a ser investigado por um alegado pagamento de preços inflacionados na aquisição de aviões e equipamento militar, um caso em que os seus apoiantes denunciam a existência de manobras políticas para derrubar o líder do partido ASMA.

O Mali celebra o aniversário da sua independência numa situação de grande instabilidade, sob pressão jihadista e com dois golpes de Estado em menos de um ano, após os quais se abriu um processo de transição em curso, ao qual Goita se referiu no seu discurso.

Goita defendeu "o início de um processo de refundação da arquitetura política do Mali" baseado em quatro pilares: reforço da segurança em todo o território, reformas políticas e institucionais, organização de eleições gerais que promovam a boa governação, e adoção de um pacto de estabilidade.

Para o coronel, os males do país incluem "falta de visão política", bem como "disfunção institucional e uma distribuição desigual da riqueza nacional".

Goita anunciou ainda a abertura de uma Academia Militar para garantir a autonomia do Mali na formação dos oficiais do exército, que estão atualmente a ser formados pela missão militar da União Europeia no país, EUTM-Mali.

"Esta escola proporcionará às forças de defesa e segurança um instrumento eficaz para a reflexão, investigação e análise de questões estratégicas. Uma experiência essencial para enfrentar os desafios e problemas relacionados com o planeamento e a condução de operações", declarou o militar.

O líder do governo de transição prometeu também no seu discurso à nação a abertura de um hospital militar para o tratamento dos feridos de guerra, que também servirá de elo, segundo ele, entre a população e o seu exército.

Goita detém atualmente a presidência do país por um período transitório de 18 meses, que termina em fevereiro, na sequência de um acordo alcançado entre os líderes golpistas malianos e a Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Goita liderou dois golpes de estado sucessivos, um em agosto de 2020, em que depôs o então Presidente Ibrahim Boubacar Keita, e outro em maio, em que afastou o presidente do governo de transição, Bah Ndaw, e o seu primeiro-ministro, Moctar Ouane.

A CEDEAO alertou na semana passada que o prazo de fevereiro para a realização de eleições no país era "não negociável" e exigiu que as autoridades de transição no Mali estabelecessem um calendário de medidas essenciais antes do ato eleitoral até ao final de outubro.

Leia Também: França admite sair do Mali se seguranças privados russos fizerem acordo

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