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Ruandeses pedem investigação a homicídio de refugiado em Moçambique

O presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique pediu hoje a criação de uma comissão independente para investigação do homicídio a tiro de um conterrâneo na Matola, arredores de Maputo.

Ruandeses pedem investigação a homicídio de refugiado em Moçambique

"O que nós estamos a pedir é que haja uma comissão independente para investigar este caso e tenho a certeza de que haverá resultados", disse à Lusa Cleophas Habiyareme.

O empresário ruandês da área do comércio, Revocat Karemangingo, a residir em Moçambique desde 1996 - onde se refugiou após o genocídio no Ruanda em 1994 -, foi morto a tiro perto de casa quando voltava de automóvel, sozinho, de um dos seus armazéns de venda de refrigerante e cervejas, segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM).

Revocat terá sido intercetado no dia 13, às 17:30 (16:30 em Lisboa), por duas viaturas, que o bloquearam, a partir das quais desconhecidos fizeram vários disparos.

O presidente da associação dos ruandeses quer que a mesma comissão independente investigue também o desaparecimento, em maio, do jornalista Ntamuhanga Cassien que residia na ilha de Inhaca, em Maputo, bem como uma tentativa de rapto do secretário da associação.

Cleophas Habiyareme questiona o facto de a comunidade ruandesa ser a "única" que passa por esse tipo de problemas e, por isso, pede que o Governo moçambicano "pense sobre isso".

"Tratam-se de três casos que ocorreram dentro da mesma comunidade. Aqui temos quatro grandes comunidades de refugiados, entre ruandeses, burundeses, congoleses e somalianos, mas a única que está a passar mal, que sofre sequestros, desaparecimento, morte, é a comunidade ruandesa", disse, indignado, à Lusa o presidente da associação.

Contactada hoje pela Lusa, a PRM disse não haver ainda resultados das investigações sobre a morte do empresário ruandês.

"Ainda estamos a trabalhar", disse Carmínia Leite, porta-voz da PRM na província de Maputo.

O Ruanda foi o primeiro país estrangeiro a colocar tropas no terreno em Moçambique, ao abrigo de um acordo bilateral, para combater os insurgentes islâmicos no norte do país, na província de Cabo Delgado.

Com o apoio dos mil soldados ruandeses, Maputo reconquistou bases dos rebeldes e localidades que haviam sido ocupadas mas que os militares moçambicanos, de modo isolado, não tinham conseguido recuperar.

Segundo o presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique, o empresário era alvo de perseguição política desde 2016, quando residia em Boane, a sul de Maputo: escapou a uma alegada tentativa de homicídio, seguindo-se um processo de "tortura psicológica" contra ele e contra "todos os que eram considerados opositores [do regime] de Kigali", capital do Ruanda, e do Presidente Paul Kagame.

Líder do Ruanda desde 1994, a Paul Kagamé é atribuído o desenvolvimento do país após o genocídio de tutsis daquele ano, mas o chefe de Estado é também acusado de limitar a liberdade de expressão e de reprimir a oposição.

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou no final de março as autoridades ruandesas de estarem a limitar a população que recorre à Internet para se expressar no país, depois de restringirem a liberdade de expressão nos órgãos de comunicação social.

A restrição de liberdades tem também sido denunciada e condenada por outras organizações como a Repórteres sem Fronteiras e a União Europeia (UE).

O genocídio no Ruanda foi responsável pela morte de mais de 800.000 pessoas, principalmente da minoria tutsi, entre abril e julho de 1994.

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