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Forças de Moçambique devem impedir reagrupamento de insurgentes

O especialista em Direito e Segurança Rodrigues Lapucheque considera que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) devem empreender ações "ininterruptas" para impedir o reagrupamento dos grupos armados que atuam em Cabo Delgado, norte de Moçambique.

Forças de Moçambique devem impedir reagrupamento de insurgentes

"O patrulhamento, a ser continuado pelas FADM, tornar-se-á imprescindível e ininterrupto, tanto de dia como de noite, incluindo a vasculha das matas e de prováveis esconderijos, com o fim primeiro de evitar que os mesmos se reagrupem", defende o coronel Lapucheque.

A posição é expressa num artigo de opinião que assina hoje no jornal Notícias, o principal diário de Moçambique.

As forças governamentais devem manter a perseguição contra os insurgentes visando o seu "aniquilamento completo e definitivo" e a eliminação do risco de contra-ataques.

Rodrigues Lapucheque observa que as FADM devem travar os grupos armados de ocupar "espaços mortos" na fronteira entre Moçambique e a Tanzânia, de onde podem lançar contraofensivas.

Por outro lado, continua, as forças governamentais têm de ficar atentas à ameaça de alastramento da atividade rebelde para outras províncias, dada a dispersão forçada dos grupos armados face à ofensiva conjunta das Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas e contingentes militares do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A esse propósito, aquele coronel observa que as forças governamentais têm denotado "fragilidades" no controlo da circulação de pessoas e bens entre as províncias do país, permitindo a mobilidade de grupos criminosos.

Recorda o alastramento da guerra civil de 16 anos entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, que terminou em 1992.

Esse conflito, explica, "tinha-se iniciado timidamente na província de Sofala e, depois, lentamente, estendeu-se para a província de Manica" e para todo o território nacional.

Rodrigues Lapuche observa que manter a perseguição aos insurgentes até ao seu aniquilamento será uma operação complexa e delicada e vai exigir esforços e sacrifícios.

"Requer também reforço logístico acrescido, sobretudo em víveres, fardamento, capas de chuva, medicamentos para os primeiros socorros, munições, óleos e lubrificantes, quer para as viaturas envolvidas nas operações e a sua respetiva manutenção técnica periódica, bem como a sua reparação atempada", refere Lapucheque.

A ação das FDS no combate aos "grupos terroristas" deve incluir igualmente serviços de informações militares para a recolha de dados sobre as movimentações e atividades dos insurgentes.

"É igualmente imprescindível contar com a colaboração ativa das populações locais, trabalho que se consegue com sucesso, conhecendo e satisfazendo as suas necessidades básicas económico-financeiras, sociais e culturais", nota.

O militar assinala que a guerra em Cabo Delgado mostra que os grupos armados se aproveitaram da pobreza para o aliciamento das populações locais e recrutamento de jovens para as suas fileiras.

Lapucheque é coronel de Infantaria Motorizada pela Academia Militar General José Maceo y Grajales, em Santiago de Cuba, doutorado em Direito e Segurança pela Universidade Nova de Lisboa e docente universitário.

Cabo Delgado é uma província rica em gás natural, aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

Leia Também: Moçambique. Um terço do orçamento do ACNUR está por financiar

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