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Argélia. Morte de Bouteflika suscita poucas reações no país

A morte do antigo Presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, afastado do poder em abril de 2019 pelo movimento de protesto Hirak, suscitou hoje poucas reações em Argel, nos media como na rua.

Argélia. Morte de Bouteflika suscita poucas reações no país
Notícias ao Minuto

15:02 - 18/09/21 por Lusa

Mundo Argélia

Bouteflika, que esteve 20 anos à frente da Argélia (1999-2019), um recorde de longevidade no país, morreu na sexta-feira aos 84 anos, dois anos e meio após a sua saída do poder.

Omnipresente durante muitos anos, mas quase invisível desde que sofreu um acidente vascular cerebral em 2013, Bouteflika não dava sinais de vida desde que a rua e o exército o forçaram a demitir-se a 2 de abril de 2019.

As autoridades praticamente mudas até ao final da manhã de hoje, anunciaram que as bandeiras ficariam a meia haste "durante três dias", numa decisão do Presidente Abdelmajid Tebboune devido à "morte do antigo presidente Moudjahid (combatente pela independência) Abdelaziz Bouteflika", segundo um comunicado da presidência, citado pela agência France-Presse.

Durante a noite, a presidência divulgou apenas uma nota lacónica, anunciando a morte de Bouteflika, nascido a 2 de março de 1937, "na sua residência".

Hoje de manhã as rádios e televisões só divulgaram uma breve informação sobre o assunto, com as primeiras a transmitirem música e entretenimento como noutro qualquer fim de semana.

Os jornais também não têm informação, já que a notícia foi divulgada depois do seu fecho.

Alguns, como o diário governamental El Moudjahid, noticiaram a morte num artigo curto na sua edição eletrónica.

A data e local do funeral ainda não foram anunciados oficialmente, mas segundo o 'site' em árabe Sabqpress, geralmente bem informado, Bouteflika será enterrado no domingo na zona dos mártires do cemitério de El-Alia, no leste de Argel.

É lá que se encontram todos os seus antecessores, ao lado das grandes figuras e mártires da guerra da independência (1954-1962) do domínio de França.

Nas ruas, a morte do presidente deposto foi saudada com alguns comentários acrimoniosos.

"Paz à sua alma, mas não merece qualquer homenagem porque nada fez pelo país", disse à AFP Rabah, comerciante de frutas e legumes.

Para Malek, trabalhador das telecomunicações, Bouteflika "foi incapaz de reformar o país apesar do seu longo reino", enquanto o carpinteiro Mohamed apontou a "vida dourada" do antigo presidente "inclusive desde que foi deposto do poder", considerando que "o seu legado não é o mais brilhante".

Outros como Amer pensam, pelo contrário, que "o país melhorou quando ele se tornou presidente", numa referência ao processo de reconciliação após a "década negra" na Argélia, a da guerra civil nos anos 1990.

Depois do seu afastamento do poder, aquele que os argelinos tratavam familiarmente como "Boutef" fechou-se na sua residência de Zeralda, onde dispunha de tratamento médico e continuava a desfrutar de todos os privilégios, segundo os media.

Terá morrido em Zeralda, rodeado da irmã Zhor, do irmão Nacer e de outros membros da família. Um outro dos seus irmãos, Said, detido por acusações de corrupção, pediu para assistir ao funeral, segundo o 'site' Sabqpress.

Bouteflika deixa uma Argélia em crise política, social e económica, com um regime impopular, que além da revolta popular do Hirak, iniciada em fevereiro de 2019, tem de lidar com a queda das receitas do petróleo.

Leia Também: Morreu o ex-presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika

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