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Putin apela a patriotismo dos russos antes do início das legislativas

O Presidente russo, Vladimir Putin, apelou hoje à população para fornecer uma prova de "patriotismo", a poucas horas do início das eleições legislativas, que também decorrem na Crimeia e nas regiões russófonas do leste da Ucrânia, apesar dos protestos de Kiev.

Putin apela a patriotismo dos russos antes do início das legislativas
Notícias ao Minuto

14:53 - 16/09/21 por Lusa

Mundo Rússia

"Conto com o vosso sentido de cidadão de responsabilidade, de ponderação e de patriotismo, com o vosso desejo de eleger deputados que trabalhem para o bem e em nome da nossa querida Rússia", declarou o Presidente russo num vídeo publicado no site do Kremlin.

Putin emitiu este apelo enquanto prossegue o seu isolamento, após serem detetados diversos casos de Covid-19 no seu círculo próximo, numa demonstração das dificuldades da Rússia em erradicar a pandemia apesar das campanhas de vacinação.

O seu curto discurso surgiu a poucas horas do início de uma maratona eleitoral de três dias, que inclui eleições legislativas, mas também dezenas de eleições regionais e locais, e onde a maioria dos críticos do Kremlin foi banida.

O voto decorre entre sexta-feira e domingo com o objetivo de limitar o risco epidémico, e as primeiras assembleias de voto vão abrir no extremo oriente às 06:00 de sexta-feira (21:00 de hoje em Lisboa). Os resultados são aguardados a partir das 19:00 (hora de Lisboa) de domingo.

O essencial da oposição anti-Putin foi banido do escrutínio, após meses de medidas repressivas iniciadas em janeiro com a detenção de Alexei Navalny logo após o seu regresso à Rússia e na sequência de um envenenamento que atribuiu ao Kremlin.

O seu movimento foi de seguida proibido por "extremismo" e muitos dos seus principais aliados foram forçados ao exílio, remetidos a residência fixa ou proibidos de se candidatar.

Cerca de 108 milhões de russos são convocados às urnas para eleger os 450 deputados da Duma (Câmara baixa do parlamento). Metade são designados por escrutínio proporcional e os restantes por maioria uninominal.

Navalny, considerado o principal opositor de Putin, apelou desde a prisão ao voto "inteligente", através do apoio em cada circunscrição ao candidato mais bem colocado para colocar em dificuldades o representante do Rússia Unida, o partido no poder.

Na maioria, são candidatos do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), com as sondagens a confirmarem a sua segunda posição (16% a 20%), logo atrás do Rússia Unida (cerca de 30% das intenções de voto), em recuo devido à impopularidade motivada por escândalos de corrupção ou queda do nível de vida.

No entanto, o partido de Putin deverá continuar a dirigir o país, e quando as restantes formações representadas na Duma (comunistas, nacionalistas e centristas) estão geralmente de acordo com o essencial das políticas do Kremlin.

No poder há mais de 20 anos e ainda muito popular, Putin também entrou na campanha da sua formação designadamente ao anunciar, a poucos dias do escrutínio, uma ajuda financeira extra para 42 milhões de reformados, um eleitorado decisivo.

Desta forma, as autoridades russas multiplicaram os esforços para limitar o impacto do "voto inteligente" de Navalny, qualificado de "extremista" e uma ilustração das "ingerências ocidentais" nas eleições russas.

Em paralelo, Kiev denunciou hoje a realização das legislativas russas na Crimeia anexada por Moscovo, e a participação no voto dos habitantes do leste separatista pró-russo da Ucrânia.

"Ao organizar estas eleições nacionais, [a Rússia] está a promover uma violação do direito internacional", declarou o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Koubela, em conferência de imprensa.

A Rússia distribuiu mais de 600.000 passaportes no leste separatista da Ucrânia, enquanto a Crimeia é considerada por Moscovo parte integrante do seu território.

Na Crimeia foram instaladas assembleias de voto, enquanto a população das regiões separatistas deverá participar no escrutínio de forma eletrónica, ou votar na região russa de Rostov, na fronteira com a Ucrânia.

"Um dia, a ocupação russa vai terminar, e quando isso ocorrer, a Rússia vai ter de pagar", sugeriu Koubela nas suas declarações.

A Ucrânia está em conflito desde 2014 com os separatistas pró-russos, que Kiev e o ocidente afirmam serem apoiados militarmente pela Rússia, apesar dos contínuos desmentidos do Kremlin. Esta guerra, que eclodiu após a anexação da Crimeia, provocou até ao momento mais de 13.000 mortos e regista uma persistente tensão na linha da frente.

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