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Renúncias em massa no Governo argentino abrem crise de governabilidade

Ministros de Governo argentino, presidentes de empresas, agências e instituições públicas têm vindo a renunciar aos seus cargos como consequência da dura derrota eleitoral de domingo que deixou o Presidente argentino perante uma crise institucional que afeta a governabilidade.

Renúncias em massa no Governo argentino abrem crise de governabilidade

Pelo menos cinco ministros (Interior, Justiça, Meio-ambiente, Ciência e Tecnologia, Cultura) e cinco presidentes de instituições, agências e empresas públicas ofereceram as renúncias aos seus cargos ao Presidente argentino, Alberto Fernández. A quantidade de renúncias pode aumentar nas próximas horas à medida que a crise institucional avançar.

"Escutando as suas palavras de domingo à noite, quando expôs a necessidade de interpretar o veredito (das urnas), considerei que a melhor maneira de colaborar com essa tarefa é pôr a minha renúncia a sua disposição", escreveu o ministro do Interior, Eduardo de Pedro na carta dirigida ao Presidente.

Todas as renúncias respondem à vice-Presidente Cristina Kirchner, sócia maioritária na coligação de Governo. Apesar de vice, é Cristina Kirchner quem detém o poder real e quem decide as principais ações de Governo. O movimento de renúncias em massa determinado pela vice-presidente visa mudar a cara do Governo como resposta à dura derrota nas eleições primárias de domingo passado.

Segundo analistas políticos, o movimento de Cristina Kirchner visa forçar renúncias dos ministros que respondem ao Presidente Alberto Fernández, quem resiste a ceder espaços de poder, especialmente os cargos do ministro Chefe do Gabinete, Santiago Cafiero, e do ministro da Economia, Martín Guzmán.

"As renúncias são um elemento de pressão ao Presidente por parte da vice-Presidente. Cristina Kirchner está a dar um ultimato ao Presidente para mudar a equipa de Governo. Ela quer impor os seus referentes a cargo do Governo e incidir ainda mais no comando", interpreta o analista político Lucas Romero, diretor da consultora Synopsis, uma referência no país.

O presidente Alberto Fernández está obrigado a aceitar as atuais renúncias e pode definir novas renúncias numa disputa de desgaste de poder com a vice-Presidente.

"Este é um Presidente com problemas de autoridade. A sua crise de liderança é consequencia de escândalos na gestão sanitária e de crise na política económica. Enfraquecido nas urnas, o Presidente não tem mais condições de resistir e está perante uma crise institucional de proporções ainda desconhecidas", indica Romero.

O presidente Alberto Fernández tenta manter os seus homens de confiança até, pelo menos, as eleições legislativas de 14 de novembro, com a esperança de poder reverter o resultado das urnas.

O terceiro e menor sócio da coligação de Governo, o presidente da Câmara de Deputados, Sergio Massa, também poderia determinar as renúncias dos nomes que respondem à sua liderança.

No domingo (12), o Governo sofreu uma dura derrota nas eleições primárias legislativas que tende a ser irreversível. Na prática, a magnitude da derrota enterra o objetivo governista de controlar o Parlamento e traduz-se numa reprovação da gestão do presidente Alberto Fernández, na metade do seu mandato.

"Estas eleições na metade do mandato são comparáveis a um plebiscito sobre a gestão do presidente Alberto Fernández e o resultado indica que a maioria da população reprova o Governo", avalia o analista político Lucas Romero.

As eleições primárias na Argentina são uma das poucas no mundo abertas e obrigatórias a toda a população. O voto vai àquele a quem o eleitor gostaria de ver como candidato, mas, ao votar no seu candidato de preferência, o eleitor define em quem votará nas eleições gerais em 14 de novembro. Assim, o resultado de agora permite ver, com fidelidade, quem ganhará depois.

Como resposta à derrota, o Governo prepara uma bateria de medidas para injetar dinheiro na economia através de aumento no salário mínimo, nas reformas e nos planos de assistência social.

Porém, devido à falta de recursos financeiros, o dinheiro viria de mais emissão monetária sem respaldo financeiro, alimentando uma inflação anual que acumula 51,4%, um dos motivos para a derrota eleitoral de domingo.

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