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Madrid e independentistas catalães retomam negociações muito divididos

O Governo central de Madrid e o executivo independentista da região da Catalunha retomaram hoje os contactos para tentar resolver o problema desta região espanhola numa reunião em Barcelona em que constaram as suas divisões sobre a questão.

Madrid e independentistas catalães retomam negociações muito divididos

No final de um primeiro encontro entre as duas partes, o primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, declarou que Madrid mantém posições "afastadas" das defendidas pelo executivo regional liderado pelo independentista Pere Aragonès sobre a Catalunha, mas que o seu compromisso é de procurar "soluções negociadas", em diálogo "sem pressa, mas sem pausas e sem prazos".

Por seu lado, Aragonès reiterou as suas exigências para que a Espanha autorize um referendo sobre a independência da Catalunha, e conceda uma amnistia geral a todos os separatistas perseguidos pela justiça.

Pedro Sánchez insistiu na necessidade de se encontrar formas de melhorar o bem-estar económico e social dos catalães, negando, no entanto, de forma firme, quaisquer pretensões separatistas.

As negociações entre o Governo central espanhol e os grupos independentistas catalães foram retomadas hoje, depois de estarem suspensas durante um ano e meio.

As duas partes estão a tentar encontrar uma saída para a crise na Catalunha, uma região espanhola onde os partidos a favor da independência são maioritários no parlamento regional.

Pedro Sánchez, que fez da pacificação na Catalunha uma das suas principais prioridades desde que chegou ao poder, em 2018, encontrou-se com Pere Aragonès no início da tarde, antes da reunião entre as duas delegações.

As perspetivas de um acordo para breve entre os independentistas, muito divididos, e Madrid são remotas.

Madrid rejeita a principal exigência do movimento pró-independência: um acordo sobre a organização de um referendo de autodeterminação.

A única opção possível, segundo o Governo central, seria um voto dos catalães sobre a concessão de novos poderes à região, que já tem a sua própria força policial e já beneficia de um elevado grau de autonomia, assim como todas as regiões espanholas.

A tentativa de secessão em outubro de 2017 da Catalunha, uma comunidade autónoma situada no nordeste do país, com uma população de 7,8 milhões de habitantes, marcou uma das piores crises políticas vividas em Espanha desde o fim da ditadura franquista em 1975.

Apesar de proibida pelos tribunais, o governo regional - que na altura era presidido por Carles Puigdemont -- realizou, em 01 de outubro, um referendo sobre a autodeterminação do território, que foi marcada pela violência policial e seguida, algumas semanas mais tarde, por uma declaração de independência.

O Governo espanhol, que na altura era liderado pelo Partido Popular (direita), colocou a região sob a tutela direta de Madrid e prendeu os principais líderes independentistas que não tinham fugido para o estrangeiro.

Carles Puigdemont ainda está fugido em Bruxelas, mas nove outros políticos foram condenados à prisão em 2019 e posteriormente indultados, em junho deste ano, pelo governo de esquerda de Pedro Sánchez.

Do lado dos independentistas, Pere Aragonès, da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) sucedeu em maio passado ao radical Quim Torra, que por seu lado sucedeu e é do mesmo partido de Puigdemont, o Juntos pela Catalunha (JxCAT).

Desde que foi eleito Pere Aragonèsa, as relações entre Madrid e Barcelona acalmaram, permitindo o atual reatamento das negociações e, por exemplo, um acordo sobre um projeto controverso de expansão do aeroporto da capital catalã.

Mas as tensões voltaram a aparecer com a decisão do Governo central tomada na semana passada de suspender o projeto, devido a uma "perda de confiança" no Governo regional separatista, que está por seu lado muito dividido por tensões entre a ERC (socialista) e o JxCAT (direita).

A atual retoma do diálogo é muito mal visto pelo JxCAT e pela esquerda radical pró-independência.

Nos últimos dias, o partido de Puigdemont desencadeou uma crise entre os independentistas quando decidiu boicotar as conversações, às quais queria assistir apenas se pudesse ser representado por dois ativistas pró-independência que tinham sido presos e beneficiado do indulto, quando apenas membros do Governo regional podiam assistir ao encontro.

Leia Também: Milhares de pessoas nas ruas de Barcelona pela independência da Catalunha

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