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Noiva do Daesh implora por perdão a britânicos. "Fui manipulada"

Shamima Begum pede para ser julgada no Reino Unido em vez de “apodrecer” num campo de prisioneiros na Síria.

Noiva do Daesh implora por perdão a britânicos. "Fui manipulada"

A noiva do Daesh, Shamima Begum, que deixou o Reino Unido rumo à Síria, aos 15 anos, pediu perdão aos britânicos numa entrevista dada ao 'Good Morning Britain', transmitida pelo GMB esta quarta-feira

De batom, com um top cinza e boné de basebol, a jovem, agora com 22 anos, disse que na altura que fugiu não sabia que o Estado Islâmico “era um culto à morte”.

“Achei que estava a entrar numa comunidade islâmica. Recebi muitas mensagens de membros do ISIS a dizer-me que eu precisava ir para a Síria porque no Reino Unido nunca seria uma boa muçulmana”, revelou.

Quando questionada sobre o que esperava que acontecesse quando abandonasse o Reino Unido, Shamima disse que acreditava que “casaria, teria filhos e viveria uma vida islâmica pura”.

“Sabia que havia guerra, mas não em lugares onde as mulheres e crianças viviam. Pensei que fosse seguro para mim. Não sabia que o ISIS queria dominar o mundo”, garantiu, acrescentando que sente que se aproveitaram da sua inocência.

“Aproveitaram-se de mim, fui manipulada”, defendeu a londrina.

Shamima vive agora num campo de prisioneiros no norte da Síria, onde está detida. Aos jornalistas, a jovem afiançou ainda que prefere morrer do que voltar a integrar o Daesh e aproveitou para pedir perdão a todos os que, de uma forma ou de outra, já foram vítimas deste grupo terrorista.

“Lamento por todas as pessoas que já foram afetadas pelo ISIS. Não concordo, de forma nenhuma, com que eles fazem nem acho que isso tenha justificação. Não há justificação para matar pessoas inocentes em nome da religião. Eu só quero pedir perdão. Sinto muito”, disse, relembrando que era muito jovem quando cometeu este “erro”. “Peço desculpa aos britânicos. Perdoem-me! Cometi este erro quando era ainda muito jovem. A maioria dos adolescentes não sabem o que querem fazer da sua vida, ficam confusos e facilmente caem numa coisa como esta”, explicou, acrescentando que compreende a relutância em desculpá-la.

“Eu sei que é difícil perdoarem-me porque vivem com medo do ISIS e perderam entes queridos. Mas eu também vivo com medo deles e também perdi entes queridos por causa do ISIS. Então, eu percebo-os”.

Shamima nasceu em Bethnal Green, em Londres. Em 2015, fugiu com duas amigas, Amira Abase e Kadiza Sultana, ambas mortas agora, para a Síria. Já neste país, engravidou três vezes. Todos os bebés acabaram por morrer com pouco tempo de vida.

Em 2019, grávida de nove meses e a viver num campo de refugiados de Al-Hawl, a jovem britânica, noiva do Daesh, foi encontrada por um jornalista. Na altura, deu uma entrevista a defender que o ataque ao Manchester Arena, que matou 22 pessoas, foi “justificado” por causa dos ataques aéreos que mataram civis na Síria.

Hoje, três anos depois, a jovem garante que não sabia que o atentado tinha matado pessoas inocentes e que não devia ter feito esse tipo de comentários sobre algo que não conhecia.

Depois de Shamima ter sido encontrada, o governo do Reino Unido emitiu uma ordem a revogar a sua cidadania britânica, declarando que esta não tinha permissão de voltar ao país por colocar em causa a segurança nacional.

Apesar das declarações transmitidas hoje, o ministro do Interior, Sajid Javid, mantém a sua decisão. De acordo com o governante, Shamima pode viajar até ao Bangladesh, de onde são naturais os pais.

Já a jovem recorda que, além de nunca ter visitado esse país, se for expatriada para lá, será condenada à pena de morte.

Shamima acredita que merece um julgamento “justo” no Reino Unido, em vez de “apodrecer” num campo de refugiados. “O único crime que cometi foi ser burra o suficiente para me juntar ao ISIS”, concluiu.

Leia Também: Juiz travou escutas a irmãos suspeitos de pertencerem ao Daesh detidos cá

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