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Sindicatos franceses prontos para greve contra a vacinação obrigatória

Os profissionais de saúde em França manifestaram-se hoje contra a medida que torna obrigatória a partir de amanhã a vacinação contra a covid-19 para trabalhar nos hospitais, sob pena de verem o seu salário suspenso, ameaçando uma greve geral nas próximas semanas.

Sindicatos franceses prontos para greve contra a vacinação obrigatória
Notícias ao Minuto

13:41 - 14/09/21 por Lusa

Mundo Covid-19

"Há muitas pessoas contra este passe, portanto acho que estamos prontos a passar para uma greve geral", disse Coralie, enfermeira que se manifestou em frente ao Ministério da Saúde e da Solidariedade, em Paris, em declarações à Agência Lusa.

Coralie é uma jovem enfermeira num hospital nos arredores da capital francesa e teme como o seu serviço vai funcionar a partir de amanhã, já que os seus colegas não vacinados não vão poder trabalhar, considerando que é uma situação insustentável.

"Caso essas pessoas sejam retiradas de funções, vai sobrar para nós, as pessoas que se vacinaram devido à pressão das nossas hierarquia, e os pacientes vão demorar ainda mais a ser atendidos", declarou a enfermeira.

A vacinação não vai ser só obrigatória para todos que trabalham nos hospitais, incluindo pessoal administrativo, mas também em todos os lares, unidades de cuidados continuados, centros de saúde, assim como estudantes na área da saúde que acedam a essas estruturas e ainda bombeiros e militares com missões civis.

A obrigação foi anunciada no início do verão pelo Presidente da República, Emmanuel Macron, e foi dado um período de tolerância para que quem quisesse, pudesse terminar a imunização. Também nessa altura foi apresentada a sanção para quem não se vacina: a suspensão da atividade profissional e do salário.

"Conheço colegas a quem isso vai acontecer, não vão ter salário a partir de amanhã. Mas, por outro lado, vão fazer falta nos hospitais. Temos cada vez menos gente a trabalhar", indicou Thierry, que trabalha na cozinha de um hospital em Villejuif, nos arredores de Paris.

Entre as dezenas de pessoas que esta manhã se manifestavam em Paris, a maior parte está vacinada. No total, segundo os dados mais recentes revelados pelo Ministério da Saúde, 84% das pessoas que trabalham nos hospitais em França estão completamente vacinadas, um número que sobe para 90% entre os que exercem uma profissão na área da saúde em regime liberal.

Para a CGT, uma das maiores centrais sindicais em França, esta obrigação serve para "esconder" o desinvestimento na saúde, mesmo em tempos de pandemia, e gerar a desconfiança da população face aos profissionais deste setor.

"O problema não é a vacinação, o problema é que nos querem estigmatizar e apontar-nos o dedo, dizendo que nós contaminamos as pessoas. Assim, não falamos dos verdadeiros problemas: a falta de pessoal e o orçamento reduzido da saúde", denunciou Asdine Aissiou, secretário-geral da CGT no hospital Pitié-Salpêtrière.

Asdine Aissiou diz que as negociações com o Governo estão completamente "fechadas", não havendo margem de manobra para rever esta medida e que resta agora "levar a cabo uma ação que ainda não colocámos em prática", dando a entender que a greve pode estar para breve.

Em França, realizaram-se hoje várias manifestações em vários pontos do país, tendo muitas delas à porta de hospitais e outras infraestruturas ligadas à saúde.

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