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Líbia. Dbeibah apela à reconciliação após libertação de filho de Kadhafi

O chefe do Governo de transição líbio, Abdul Hamid Dbeibah, afirmou hoje que a decisão da justiça de libertar Al-Saadi Kadhafi, filho do deposto líder líbio Muammar Kadhafi, revela o desejo de construir um novo país assente na reconciliação.

Líbia. Dbeibah apela à reconciliação após libertação de filho de Kadhafi
Notícias ao Minuto

14:54 - 06/09/21 por Lusa

Mundo Líbia

Em comunicado difundido através das redes sociais, Abdul Hamid Dbeibah -- designado em março passado para a liderança do Governo Nacional de Unidade transitório líbio (GNU) no Fórum para o Diálogo Político na Líbia, um organismo 'ad hoc' não eleito patrocinado pela ONU --, insistiu que a Líbia "não pode avançar sem conseguir a reconciliação, nem estabelecer um Estado sem uma justiça ou uma aplicação das leis que respeite a separação de poderes e os procedimentos judiciais".

"Sobre esta base, o cidadão Al-Saadi Kadhafi foi hoje libertado, numa aplicação da ordem de liberdade solicitada pela procuradoria do Estado", afirmou Hamid Dbeibah.

Fontes judiciais revelaram hoje à agência noticiosa Efe que um tribunal líbio ordenou a libertação do terceiro filho do ex-líder, após considerá-lo inocente das acusações e atendendo ainda ao seu precário estado de saúde.

Al-Saadi fugiu para o Níger na sequência da revolta e assassinato do seu pai, em outubro de 2011, e três anos depois foi extraditado e encarcerado numa prisão de Tripoli, indiciado por diversos crimes, incluindo a morte em 2005 do futebolista e treinador líbio Bashir al Rayani.

Em abril de 2018 foi absolvido deste delito, mas permanecia detido por alegada participação, na qualidade de comandante das Forças Especiais, na repressão da revolta de 2011 que implicou a queda do regime.

A fonte judicial não confirmou as alegações sobre a saída do país do terceiro filho de Kadhafi em direção à Turquia.

Al-Saadi, 47 anos, era conhecido como o "filho futebolista" de Kadhafi, e para além de integrar a principal equipa da capital e ser capitão da seleção nacional, treinou com várias equipas da série A da Liga italiana e participou em dois jogos, um com o Peruggia frente à Juventus de Turim, na temporada 2003-2004, e outro com a Udinese, num confronto com o Calgliari na época 2005-2006.

Apesar de se ter comprometido com a Sampedoria por uma época, não chegou a integrar a equipa e optou pelo regresso ao seu país para liderar o Al Ahly Tripoli.

No seu país, foi acusado de formar diversos partidos e de envolvimento no incidente entre as duas principais equipas da Líbia, que implicou uma violenta repressão e forçou Kadhafi a ordenar a destruição do estádio de Bengasi, a segunda cidade do país.

Em 2006, Al-Saadi -- que denunciou ter sido alvo de torturas durante a sua detenção -- impulsionou um projeto para criar na Líbia uma cidade semiautónoma semelhante a Hong Kong, que se converteria num centro educativo, médico, bancário e de alta tecnologia, sem necessidade de vistos e com tolerância religiosa e leis comerciais de "estilo ocidental".

Em paralelo, as autoridades líbias anunciaram hoje a libertação de presos políticos, incluindo um próximo do ex-líder deposto, que cumpriram as suas penas ou estavam detidos sem julgamento.

O conselho presidencial, que integra as estruturas de transição da Líbia, anunciou a "libertação de diversos presos políticos (...) que cumpriram as suas penas ou que não foram julgados, incluindo Ahmad Ramadan al-Assebei".

O número de opositores libertados não foi revelado e apenas foi comunicada a identidade de Al-Assebei.

Este antigo coronel do exército e antigo diretor de gabinete e dos serviços de informações de Muammar Kadhafi foi preso em setembro de 2011.

A Líbia, rica em petróleo, mergulhou no caos após uma revolta apoiada pela NATO em 2011, que derrubou Muammar Kadhafi, no poder há cerca de quatro décadas, e dividiu o país entre um Governo apoiado pela ONU em Tripoli e autoridades rivais sediadas no leste do país, cada lado apoiado por uma série de milícias locais, bem como por potências regionais e estrangeiras.

Em dezembro, a ONU estimou em cerca de 20.000 o número de mercenários e combatentes estrangeiros na Líbia.

Leia Também: Filho de Muammar Kadhafi libertado da prisão

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