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Homenagem ao reconhecimento de Portugal assinala independência argentina

Portugal e Argentina homenageiam hoje o português João Manuel de Figueiredo, que há exatamente 200 anos, reconheceu, em nome de Portugal, pela primeira vez o novo país.

Homenagem ao reconhecimento de Portugal assinala independência argentina

Portugal foi o primeiro país a reconhecer a independência argentina do império espanhol e o seu representante, João Manuel Figueiredo, criou uma tal relação com o território que se encontra sepultado num convento em Buenos Aires junto ao herói da Independência argentina.

"Há 200 anos, foi uma decisão geoestratégica muito importante que visava estabelecer boas relações e reconhecer as novas nações que estavam a nascer, antecipando-nos aos demais países que apoiavam esse movimento de emancipação hispano-americana como o Reino Unido e os Estados Unidos", disse à Lusa o embaixador português na Argentina, José Ludovice, que conduzirá a homenagem.

"Para a época, foi um gesto transcendental que teve impacto na geografia política da região", aponta.

A cerimónia decorre hoje, em Buenos Aires, às 14:30 de Lisboa no Convento de Santo Domingo onde está sepultado o representante diplomático português e o herói da independência, general Manuel Belgrano.

O Presidente argentino, Alberto Fernández, está no Peru e caberá ao vice-secretário de Política Latino-americana, Juan Valle Raleigh, representar a Argentina  

Em 28 de julho de 1820, quatro anos depois da declaração de Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata ou Províncias Unidas da América do Sul, hoje Argentina -nome que só surgiria seis anos depois -, o designado agente de relações comerciais, primeiro representante diplomático português no novo país, apresentava ao governador da Província de Buenos Aires, Martín Rodríguez, o reconhecimento de Portugal, tornando-se o primeiro país em fazê-lo, decisão que abriria as portas da nova nação ao mundo.

"O reconhecimento de Portugal foi o primeiro de um país europeu com uma grande influência nesta região. Esse reconhecimento político teve um efeito político muito forte tanto para o exterior quanto para o interior do país. As províncias estavam divididas cada uma com o seu governo praticamente independente. Buenos Aires pôde exibir às demais províncias que tinha o apoio estrangeiro e que podia conduzir as relações externas", indica à Lusa o historiador argentino, Guillermo Cao.

"Para o Governo de Buenos Aires, esse reconhecimento foi importante porque vinha de uma potência europeia com laços dinásticos com outras Cortes. O mundo nessa época era europeu. Portugal viu que o processo de independência era irreversível. Os Bragança se anteciparam aos demais países europeus e abriram um caminho", complementa à Lusa o historiador argentino, Roberto Azaretto. 

Aquela decisão foi resultado da visão avançada do então ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Silvestre Pinheiro Ferreira, quem convenceu o Rei D. João VI, cuja corte estava no Rio de Janeiro, que a independência das colónias hispano-americanas era um caminho irreversível.

"Como diplomata português, sinto orgulho desse gesto precursor para a época. Portugal teve a noção de que aquele movimento era inevitável. Colocou-se numa boa posição antes de serem rebocados pela situação. E também permitiu que o Brasil pudesse consolidar as suas fronteiras e fazer o país ter um poder regional muito importante", considera o embaixador Ludovice. 

"Portugal não é para a Argentina um país qualquer: é o primeiro a reconhecê-los. Isso ficará para sempre", sublinha. 

Duas semanas depois, em 11 de agosto, Figueiredo também levaria o reconhecimento de Portugal à independência do Chile. Repentinamente, faleceria apenas dez dias depois, em 21 de agosto, sendo sepultado neste convento de Santo Domingo, a 200 metros de onde vivia.

No mesmo convento já estava também sepultado o general Manuel Belgrano. Figueiredo tinha participado do funeral de Belgrano no dia seguinte ao reconhecimento de Portugal, em 29 de julho de 1821.

Naqueles anos do processo de Independência da Argentina em 1816, Buenos Aires tinha cerca de 50 mil habitantes, dos quais pouco menos de 10% eram estrangeiros. Desses, os portugueses representavam mais de 50%, sendo, de longe, os mais numerosos, apesar das campanhas de Espanha para expulsar portugueses por temer que pudessem ajudar os movimentos independentistas.

Em 1910, tanto a Argentina quanto o Chile tiveram a oportunidade histórica de reconhecer o nascimento da República em Portugal, sendo a Argentina e o Chile, respetivamente, o segundo país e o terceiro países em fazê-lo, depois do Brasil, o primeiro.

"Queremos voltar a ser importantes para a Argentina. Queremos estar mais presentes e um desses caminhos é o acordo UE-Mercosul que cria o maior bloco comercial do mundo", projeta o embaixador português, José Ludovice.

"O mundo mudou muito, mas continuamos a ter a mesma afinidade política e cultural de 200 anos. Temos um futuro comum à nossa espera", conclui.

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