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EUA condenam plano turco de reabrir cidade cipriota de Varosha

Os Estados Unidos condenaram hoje o plano anunciado pelo líder turco cipriota de reabrir a antiga estação balnear de Varosha, no Chipre, e avisaram que vão procurar "uma resposta forte" no Conselho de Segurança da ONU.

EUA condenam plano turco de reabrir cidade cipriota de Varosha
Notícias ao Minuto

06:23 - 21/07/21 por Lusa

Mundo ONU

"Os Estados Unidos consideram as ações dos cipriotas turcos em Varosha, com o apoio da Turquia, provocadoras, inaceitáveis e incompatíveis com os compromissos passados de fazer parte, de forma construtiva, das negociações de paz", disse o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, em comunicado.

O secretário de Estado norte-americano avisou que os EUA "estão a trabalhar" com os países aliados para recorrer ao Conselho de Segurança da ONU e que vão apelar a uma "resposta forte", indicou na mesma nota.

Na segunda-feira, também o Alto Representante da União Europeia, Josep Borrell, considerou o projeto de reabertura "uma decisão unilateral inaceitável, destinada a alterar o estatuto de Varosha", e exigiu "liberdade de movimento" à força de manutenção da paz da ONU em Chipre (UNFICYP) nesta zona, para que "possa patrulhar e efetuar as atividades que lhe estão confiadas".

O primeiro-ministro da autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN), Ersin Tatar, confirmou na segunda-feira, num discurso por ocasião da celebração do 47.º aniversário da ocupação turca do norte de Chipre em 1974, na presença do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que vai ser aberta uma parte (3,5%) de Varosha, o bairro selado da cidade de Famagusta, através do levantamento do estatuto militar da zona.

O líder da RTCN, anunciada em 1983 e apenas reconhecida por Ancara, precisou que será dada prioridade aos seus antigos proprietários cipriotas gregos a apresentarem os seus pedidos de devolução ou indemnização, em particular dos seus imóveis, por intermédio da Comissão de Propriedade Imóvel (IPC, na sigla em inglês), um organismo legal destinado a resolver estes casos.

Segundo os 'media' cipriotas turcos, a zona em questão poderia ser uma área próxima da zona povoada de Famagusta (por motivos de luz, água telecomunicações), com cerca de 500 habitações e onde existem 681 títulos de propriedade de cipriotas gregos.

Varosha, então conhecida pelas praias e modernos hotéis, possui uma superfície de 6,2 quilómetros quadrados e constitui cerca de 17% de Famagusta, onde viviam cerca de 15 mil cipriotas gregos, do total de 43 mil habitantes do município.

Em 1984, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que proíbe a instalação em Varosha de pessoas que não sejam habitantes e pede a transferência desta área para a administração da ONU.

O anúncio de Tatar foi emitido antes de uma parada militar a que assistiu Erdogan e que inclui forças e equipamento militar da Turquia, que desde 1974 mantém cerca de 35 mil soldados na parte norte da ilha, cerca de 37% do território.

Erdogan e Tatar insistiram que uma paz permanente em Chipre implica o reconhecimento internacional de dois Estados separados, após décadas de negociações infrutíferas destinadas a garantir um acordo de reunificação assente numa estrutura federal.

Diversos advogados cipriotas turcos exortaram os proprietários a recorrerem ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e ao IPC para reafirmarem os seus direitos às propriedades no norte.

No entanto, o Governo da República de Chipre receia que um recurso maciço ao IPC possa implicar uma venda em larga escala de propriedades, que as autoridades cipriotas turcas poderiam explorar politicamente para acentuar a divisão étnica e fornecer mais legitimidade ao Estado separado.

O Presidente cipriota, Nicos Anastasiades, frisou que o anúncio contraria as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe qualquer alteração do estatuto de Varosha, apelou que seja devolvida aos legítimos habitantes e voltou a defender que esta zona deve permanecer sob controlo da ONU.

No verão de 1974, e perante o avanço das tropas turcas, cerca de 15 mil residentes cipriotas gregos fugiram do local e a área foi isolada com arame farpado para impedir qualquer acesso, até 2020, quando as autoridades turcas e cipriotas turcas anunciaram a "reabertura".

Os antigos habitantes de Varosha denunciaram esta medida como uma forma de tirar partido do desespero sobre o futuro desta área, e uma pressão psicológica para que vendam as propriedades.

Muitos cipriotas turcos também condenaram a decisão, que consideraram uma forma de comprometer os atuais esforços de reconciliação entre as comunidades.

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