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Borrell acredita que vitória de Raisi não afetará negociações nucleares

O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, manifestou hoje a expectativa de que a eleição de Ebrahim Raisi para a presidência do Irão não afete as negociações em curso sobre o acordo nuclear.

Borrell acredita que vitória de Raisi não afetará negociações nucleares

"Espero que o resultado das eleições não prejudique o processo de negociação e, tanto quanto sei, acredito que não será o caso", afirmou o dirigente comunitário num encontro com meios de comunicação social em Beirute, no Líbano, enquanto em Viena os países do acordo nuclear com o Irão (JPCOA na sigla em inglês) estão reunidos para mais uma ronda de conversações, com vista a garantir o regresso dos Estados Unidos e do Irão ao cumprimento do pacto.

O líder da diplomacia europeia revelou ter falado esta semana com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohamad Yavad Zarif, à margem do Fórum Diplomático em Antalya (Turquia), com o responsável iraniano a expressar o seu otimismo acerca do compromisso da nova liderança com as negociações.

"Falei com o ministro dos Negócios Estrangeiros cessante em Antalya e ele também acredita que o novo presidente manterá os esforços", vincou Borrell, considerando que as partes estão "muito próximas" de chegar a um acordo, embora tenha admitido que "o tempo está a esgotar-se".

Disse que estava confiante em alcançá-lo porque, na sua opinião, um acordo seria "benéfico" tanto para o Irão como para os Estados Unidos e significaria uma melhoria da situação, num caso em termos de segurança e, no outro, em termos económicos e sociais.

No entanto, Borrell, que reiterou que o acordo seria "benéfico" para Teerão e Washington, lembrou também que o resultado das conversações de Viena terá de ser ratificado por outros organismos em cada país.

A retoma das conversações, que se iniciou no passado mês de abril, ocorre um dia após o clérigo ultraconservador Ebrahim Raisi, chefe do poder judiciário, ter alcançado uma vitória confortável e esperada com cerca de 62% dos votos nas eleições presidenciais do Irão.

Na reunião deste domingo na capital austríaca participam China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Irão. Já os Estados Unidos, que deixaram o tratado em 2018 por decisão do então presidente Donald Trump, participam de forma indireta através de intermediários, dada a recusa iraniana de se reunir diretamente com Washington.

O novo presidente dos EUA, Joe Biden, já expressou a sua intenção de fazer o país regressar ao pacto, mas primeiro exige que o Irão cumpra todas as suas obrigações; por sua vez, Teerão condiciona esta medida à eliminação prévia das sanções aplicadas por Washington. O Irão tem violado os termos do acordo nuclear desde 2019, especialmente em termos de produção e pureza do urânio enriquecido.

O acordo nuclear de 2015 limita o programa atómico iraniano em troca do levantamento de sanções, com o objetivo de evitar que o Irão tenha acesso ou desenvolva armas nucleares.

Leia Também: Acordo nas negociações nucleares está "mais perto do que nunca"

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