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'Rohingyas' protestam contra condições de vida em ilha no Bangladesh

Milhares de refugiados 'rohingyas' realocados na ilha de Bhashan Char, no Bangladesh, manifestaram-se hoje contra as condições de vida naquele território remoto e frequentemente atingido por ciclones, divulgou a polícia local, apontando o registo de vários incidentes.

'Rohingyas' protestam contra condições de vida em ilha no Bangladesh

A ação de protesto aconteceu por ocasião de uma visita de uma delegação do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), que se deslocou ao local para inspecionar as condições no terreno, e juntou cerca de quatro mil pessoas desta minoria muçulmana, segundo a mesma fonte.

"Os 'rohingyas' insurgiram-se assim que os representantes do ACNUR aterraram hoje (na ilha) de helicóptero", afirmou, em declarações à agência France-Presse (AFP), o chefe da polícia local, Alamgir Hossain.

"Estão a pedir para não viver aqui. (...) Lançaram pedras e partiram janelas. Atacaram a polícia", acrescentou o representante.

Um refugiado 'rohingya' confirmou também à AFP que tijolos foram atirados durante o protesto, relatando que os manifestantes foram impedidos pela polícia de entrar num edifício onde se encontrava a delegação do ACNUR.

Um ativista internacional dos direitos humanos, igualmente citado pela AFP, mas não identificado, contou que a polícia usou bastões para dispersar os manifestantes e que vários ficaram feridos.

A polícia local rejeitou estas acusações, argumentando que os manifestantes danificaram veículos e agrediram alguns agentes policiais.

Uma porta-voz do ACNUR confirmou que uma delegação, que integra dois altos responsáveis da agência das Nações Unidas, visitou a ilha de Bhashan Char, com a colaboração do Governo do Bangladesh, país que acolhe cerca de 900 mil pessoas da minoria muçulmana 'rohingya'.

"A delegação do ACNUR teve a oportunidade de se encontrar com muitos refugiados e ouvir as várias questões que levantaram e que a delegação irá discutir com as autoridades do Bangladesh", disse a representante.

A mesma porta-voz informou que a delegação já está neste momento na zona de Cox's Bazar, onde irá visitar na terça-feira aquele que é reconhecido como o maior campo de refugiados do mundo.

Posteriormente, a delegação irá para a capital do país, Daca, para se reunir com altos funcionários governamentais.

Milhares de 'rohingyas' procuraram refúgio no Bangladesh, sobretudo na zona de Cox's Bazar, desde meados de agosto de 2017, quando foi lançada, no estado de Rakhine (em Myanmar, a antiga Birmânia), uma operação militar do exército birmanês contra o movimento rebelde Exército de Salvação do Estado Rohingya devido a ataques da rebelião a postos militares e policiais.

A campanha de repressão do exército de Myanmar contra esta minoria foi condenada pela comunidade internacional e foi descrita pela ONU como limpeza étnica e um possível genocídio, incluindo o assassínio de milhares de pessoas, a violação de mulheres e de crianças e a destruição de várias aldeias, entre outras violações dos direitos humanos.

Perante a sobrelotação da zona de Cox's Bazar, as autoridades do Bangladesh começaram a transferir, em dezembro de 2020, cerca de 18.000 refugiados 'rohingyas' para a ilha de Bhashan Char.

Este programa de realocação conduzido pelo Bangladesh, que é contestado por organizações de direitos humanos, prevê a transferência de 100 mil pessoas para esta ilha, que nunca tinha sido habitada, que fica submersa regularmente pelas chuvas das monções e que é frequentemente atingida por ciclones.

A representação das Nações Unidas no Bangladesh esclareceu na altura que "não está envolvida" neste plano de realocação, indicando mesmo ter recebido "pouca informação" sobre o processo.

Na mesma ocasião, várias organizações não-governamentais (ONG), como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, denunciaram que alguns refugiados estavam a ser forçados a ir para a ilha, alegações que foram rejeitadas pelas autoridades.

A polícia local afirmou hoje à AFP que pelo menos 49 refugiados, incluindo mulheres e crianças, tinham sido detidos nas últimas semanas após tentativas de fuga da ilha.

Líderes da comunidade 'rohingya' afirmam que dezenas, ou até mesmo centenas, de refugiados já conseguiram fugir da ilha de Bhashan Char e regressar a Cox's Bazar.

Leia Também: Presidente da Assembleia-geral da ONU visita campo de refugiados rohingya

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