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Violência marca algumas das manifestações pró-Palestina pelo mundo

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em apoio à causa palestiniana em cidades europeias e do Médio Oriente, em concentrações também marcadas em alguns casos por violência, enquanto continuam as hostilidades entre Israel e o movimento islamita Hamas.

Violência marca algumas das manifestações pró-Palestina pelo mundo

Em Paris, cerca de 4.200 polícias foram mobilizados para enfrentar manifestações que não foram autorizadas e se verificaram em vários pontos da capital francesa, com instruções para dispersar com canhões de água e gás lacrimogéneo qualquer concentração.

Foi o que aconteceu durante a tarde no bairro de Barbès, no norte da cidade, com as autoridades a intervirem contra cerca de uma centena de manifestantes que gritava "Palestina vencerá" e "Israel assassino".

Ao início da tarde, os organizadores realizaram uma conferência de imprensa em que reiteraram a sua intenção de se manifestarem pacificamente, condenando a atitude das autoridades, que acusaram de querer "fazer piorar a situação e que a situação se descontrole".

Na quinta-feira, o chefe da polícia de Paris decidiu proibir as manifestações por considerar que apresentavam "risco de provocar distúrbios", invocando um precedente de 2014, quando uma manifestação pró-Palestina descambou em violência.

"Por todo o mundo há manifestações de apoio. A França é uma exceção e também é contra isso que nos mobilizamos", afirmou um dos organizadores, Julien Salingue.

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje no centro de Londres em apoio aos palestinianos, pedindo ao Governo britânico que intervenha para fazer parar a intervenção militar israelita contra alvos na Faixa de Gaza.

Os manifestantes juntaram-se ao início da tarde em Marble Arch, junto a Hyde Park, e daí caminharam até à embaixada israelita, empunhando bandeiras da Palestina e cartazes em que pediam a "libertação" dos territórios palestinianos.

"É essencial que o Governo britânico tome medidas imediatamente", exigiram os organizadores, entre os quais a coligação Stop the War, a associação muçulmana do Reino Unido, a Campanha de Solidariedade com a Palestina e a Campanha para o Desarmamento Nuclear.

Na Jordânia, o Governo elogiou hoje os manifestantes que se concentraram na sexta-feira a favor dos palestinianos, mas pediu para que as pessoas não se aproximem mais da fronteira com a Cisjordânia, para "preservar a sua segurança".

O ministro do Interior jordano, Mazen al Feraya, afirmou que "as atividades de solidariedade popular em apoio dos irmãos palestinianos expressaram a posição oficial do rei Abdullah II, que apoia a causa palestiniana e repudia as violações e ilegalidades cometidas pelas forças de ocupação em Jerusalém", citado pela agência de notícias oficial Petra.

Contudo, apelou aos manifestantes para que "sejam responsáveis e não se aproximem da fronteira, para preservar a sua segurança".

Al Feraya apontou que alguns manifestantes "violaram propriedade privada e foram tratados com a máxima moderação pelas forças de segurança", sem confirmar o uso da força para dispersar manifestantes.

Na sexta-feira, as forças de segurança jordanas impediram dezenas de manifestantes de atravessar a fronteira entre a Jordânia e a Cisjordânia, e em imagens transmitidas pela televisão estatal jordana, viam-se centenas de manifestantes e dezenas de veículos na cidade de Shuna Sul que tentavam cruzar na passagem de Allenby até serem dispersos pela polícia, com gás lacrimogéneo.

Em Amã, milhares de pessoas concentraram-se depois da oração de sexta-feira junto à mesquita Rei Hussein, a maior do país, para pedir ao Governo que denuncie o tratado de paz celebrado com Israel em 1994 e que encerre a embaixada israelita na capital jordana.

Dezenas de pessoas tentaram também na sexta-feira atravessar a fronteira entre o Líbano e Israel, levando os militares israelitas a disparar, matando um jovem militante do movimento islamita libanês Hezbollah, segundo as autoridades do país.

Centenas de pessoas participaram hoje no funeral de Mohammed Kassem Tahan, que, de acordo com a agência de notícias libanesa, a ANI, morreu no hospital depois de ter sido ferido quando soldados israelitas dispararam dois tiros de artilharia contra os manifestantes.

Israel contraria esta versão e afirma que só foram feitos disparos de advertência.

Em Madrid, tudo decorreu de forma mais calma numa manifestação que juntou no centro da capital espanhola 2.500 pessoas em apoio da causa palestiniana.

"O silêncio de uns é o sofrimento de outros", e "Jerusalém é a capital eterna da Palestina" eram algumas das mensagens nos cartazes empunhados pelos manifestantes, entre os quais um número significativo de jovens mulheres.

Na chegada à estação de transportes de Atocha, gritaram que a intervenção militar de Israel em Gaza contra o movimento islamita Hamas "não é uma guerra, é um genocídio".

Na capital dinamarquesa, três pessoas foram presas na sexta-feira à noite depois de alguns manifestantes pró-Palestina terem atirado pedras à polícia e à embaixada israelita, segundo a polícia de Copenhaga.

A manifestação, que juntou cerca de 4.000 pessoas em frente à representação diplomática acabou por ser dispersada por causa dos distúrbios provocados por algumas dezenas dos manifestantes, afirmou a polícia através da rede social Twitter.

Segundo a televisão DR, a polícia de Copenhaga recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Jeppe Kofod, declarou que o comportamento dos causadores dos distúrbios foi "completamente inaceitável", condenando a violência.

Em várias cidades da Tunísia, manifestações de apoio aos palestinianos pediram a intervenção da comunidade internacional para travar os "crimes das forças israelitas".

No centro da capital, Tunes, juntaram-se centenas de pessoas cobertas com bandeiras da Palestina, desfilando depois por uma das principais avenidas sob vigilância da polícia.

Apesar de o país estar em confinamento por causa da pandemia até domingo, os manifestantes marcaram presença para declarar que "os tunisinos e tunisinas apoiam a Palestina" e que "o povo quer criminalizar a normalização de Israel".

"Quando se massacram palestinianos, as potências internacionais ficam quietas e caladas face aos crimes sionistas", afirmou à agência France Presse uma estudante de 23 anos, Dalila Borji.

O mais recente balanço das hostilidades feito pelas autoridades palestinianas refere que os ataques israelitas fizeram 139 mortos - incluindo 39 crianças - e mais de mil feridos desde segunda-feira.

O Hamas disparou mais de 2.300 'rockets' contra Israel a partir de Gaza e matou dez pessoas, entre as quais uma criança e um militar, ferindo ainda mais de 560 pessoas.

Leia Também: Médio Oriente: Três 'rockets' foram lançados desde a Síria contra Israel

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