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Novos ataques no centro da Nigéria matam 17 aldeões e destrõem casas

Dezassete aldeões foram mortos, alegadamente por suspeitos de serem pastores Fulani, em dois ataques separados no estado de Benue, no centro da Nigéria, segundo autoridades locais.

Novos ataques no centro da Nigéria matam 17 aldeões e destrõem casas
Notícias ao Minuto

12:54 - 04/05/21 por Lusa

Mundo Nigéria

O estado de Benue encontra-se na região designada como 'Middle Belt' (região central), que há anos é atingida por confrontos mortais entre pastores nómadas e agricultores locais devido a questões de terra e rivalidades pelo controlo de terras de pastagem e água.

Os pastores mataram 15 aldeões, que eram principalmente agricultores, num ataque de madrugada na segunda-feira, e mais dois aldeões foram mortos no domingo, na área de Gwer West, do estado de Benue, disseram na segunda-feira as autoridades locais.

"Os pastores armados atacaram Tijime, onde mataram 15 pessoas", disse Ken Achabo, um assessor do governador do Estado.

"Houve outro ataque na estrada Naka-Agagbe, onde duas pessoas foram mortas na noite de domingo", disse à agência France-Presse (AFP), acrescentando que a violência tinha feito com que os residentes fugissem das suas casas.

Outra funcionária local, Grace Igbabon, disse que "os pastores entraram sorrateiramente nestas comunidades e mataram 17" aldeões, incluindo mulheres, crianças e idosos, "sem qualquer razão".

Acrescentou que muitas pessoas foram também feridas e casas destruídas.

A porta-voz da polícia estatal, Catherine Anene, confirmou os ataques, sem dar mais pormenores.

As tensões têm vindo a aumentar na área desde que o Governo promulgou uma lei que proíbe o pastoreio de gado aberto.

Estas disputas de terra representam um desafio adicional para as forças de segurança do país, que lutam em várias frentes: contra uma insurreição que dura há mais de uma década no nordeste, bandos criminosos de raptores no noroeste e uma milícia separatista no sudeste.

O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, tem sido criticado por várias frentes devido à alegada incapacidade de conter a insegurança no país.

Mas o exército nigeriano expressou na segunda-feira o seu apoio ao chefe de Estado, afastando categoricamente qualquer probabilidade de um golpe de Estado.

Numa declaração emitida na segunda-feira à noite, as forças armadas nigerianas afirmaram que continuariam a apoiar o Governo, apesar da má situação de segurança e das críticas constantes ao Presidente Buhari, um antigo general, com 78 anos.

"Declaramos categoricamente que as forças armadas da Nigéria continuam totalmente empenhadas na atual administração, bem como em todas as instituições democráticas a ela associadas", de acordo com uma declaração divulgada pelo porta-voz do exército, Onyema Nwachukwu.

"Continuaremos a permanecer apolíticos, subordinados à autoridade civil, firmemente leais ao Presidente, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas da República Federal da Nigéria, ao Presidente Muhammadu Buhari e à Constituição de 1999", acrescentou o porta-voz militar.

Na semana passada, o Parlamento pediu ao chefe de Estado que declarasse o estado de emergência.

Ao mesmo tempo, uma enxurrada de declarações de parlamentares, governadores locais e até do laureado com o Nobel da Literatura em 1986, Wole Soyinka, apelou ao Presidente Buhari para conter a violência.

"A nossa nação está em guerra. Aqueles que provaram ser fracos e incapazes devem aprender a engolir o seu orgulho e procurar ajuda", insistiu Soyinka.

O Presidente Buhari reuniu-se com os seus chefes de segurança na semana passada e novamente hoje para discutir a violência que abala o país.

"Continuaremos a cumprir as nossas responsabilidades constitucionais de forma profissional, especialmente na proteção da democracia do país, na defesa da integridade territorial do país, bem como na proteção das vidas e bens dos cidadãos", acrescentou o porta-voz militar.

Buhari, um antigo general golpista na década de 1980, foi eleito em 2015 com base numa promessa de esmagar a rebelião terrorista no nordeste, que matou 36.000 pessoas e deslocou dois milhões.

Seis anos mais tarde, os grupos Boko Haram e o Estado islâmico na África Ocidental (Iswap) ainda controlam vastas áreas rurais, bem como estradas estratégicas, onde estão a aumentar os ataques e raptos de soldados, civis e trabalhadores de organizações não governamentais.

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