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Enriquecimento de urânio "põe em questão" seriedade do Irão sobre nuclear

O secretário de Estado norte-americano disse hoje que os Estados Unidos "levam muito a sério" o anúncio de que o Irão tenciona enriquecer urânio a 60%, argumentando que "põe em questão" a sua "seriedade" nas negociações sobre o nuclear.

Enriquecimento de urânio "põe em questão" seriedade do Irão sobre nuclear

"Levamos muito a sério o anúncio provocador [do Irão] de que tenciona começar a enriquecer urânio a 60%, e o grupo dos 5+1 [os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China - mais a Alemanha, que assinaram o acordo nuclear com o Irão em 2015] devem estar unidos na sua rejeição", sublinhou Antony Blinken.

O secretário de Estado norte-americano falava em conferência de imprensa em Bruxelas, após uma reunião do Conselho do Atlântico Norte da NATO, em que participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros e de Defesa da Aliança.

Blinken considerou que o anúncio do Irão de que tenciona enriquecer urânio a 60% - aproximando-se dos 90% necessários para fins militares - mostra simultaneamente a "importância" de fazer com que os Estados Unidos e Teerão regressem ao acordo nuclear com o Irão, mas também "põe em questão" a "seriedade" de Teerão nas negociações que decorrem atualmente em Viena para revitalizar esse acordo.

"Os Estados Unidos e o Irão declararam ambos que tinham o objetivo comum de regressar ao cumprimento mútuo do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), e temo-nos empenhado de maneira construtiva para atingirmos esse objetivo", sublinhou.

Defendendo que os Estados Unidos "demonstraram de maneira muito clara aos outros participantes" das negociações em Viena que estão se mantêm "sérios nesse propósito", Blinken avançou que "resta saber" se o Irão também tem a mesma postura.

"O regresso ao cumprimento do JCPOA, e o processo diplomático que está a ser retomado em Viena esta semana, continua a ser a melhor forma de limitar o programa nuclear iraniano de forma duradoura, (...) e estamos empenhados em prosseguir esse processo, mas a verdadeira questão é saber se o Irão também o está. É o que vamos descobrir", sublinhou.

Teerão anunciou na terça-feira que vai aumentar o limite máximo para as atividades de enriquecimento de urânio (isótopo 235) de 20% para 60%, aproximando-se dos 90% necessários para ser utilizado para fins militares.

Atualmente o Irão enriquece urânio a 20%, muito além do limite de 3,67% que lhe é imposto pelo acordo nuclear assinado com as grandes potências em Viena, em 2015.

Teerão justificou hoje a decisão de enriquecer urânio a 60% como resposta ao "terrorismo nuclear" e à "maldade" israelita, referindo-se ao alegado ataque contra a central de Natanz, no domingo.

Ambos os incidentes ocorrem numa altura em que os países membros do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) se irão novamente reunir esta quinta-feira em Viena, pela segunda semana consecutiva, para procurar revitalizar o acordo nuclear iraniano, assinado em 2015 na capital austríaca, mas que sofreu um forte abalo em 2018, quando o ex-presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo e restabeleceu duras sanções a Teerão.

Após uma semana de negociações consideradas "construtivas", os participantes do JCPOA comprometeram-se em voltar a reunir-se esta semana para continuar os "esforços diplomáticos" que visam salvar o acordo.

As negociações têm como objetivo o regresso dos Estados Unidos ao acordo nuclear e a aplicação rigorosa de Teerão do texto, tendo a comissão mista do JCPOA encarregado dois grupos de especialistas -- um sobre as sanções e outro sobre o programa nuclear -- a trabalharem para definir um roteiro para esse efeito.

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