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Moçambique: SADC defende "resposta coletiva" contra o "terrorismo"

O Presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, defendeu hoje "uma resposta coletiva" contra os "ataques terroristas" no norte de Moçambique, durante uma cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Moçambique: SADC defende "resposta coletiva" contra o "terrorismo"
Notícias ao Minuto

11:24 - 08/04/21 por Lusa

Mundo Ataques

"Os ataques terroristas no norte de Moçambique são uma ameaça a toda a região da África Austral e, por isso, precisamos de uma resposta coletiva", declarou Masisi, que preside ao Órgão de Política de Defesa e Segurança da organização.

O responsável falava na abertura da Cimeira Extraordinária da Dupla Troika da SADC, que integra os países das troikas do Órgão de Defesa e Segurança e da Troika da SADC, convocada para debater a violência armada na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

"Os ataques não são apenas contra a soberania e o povo de Moçambique são também contra a região e toda a humanidade, pelo seu caráter terrorista", afirmou, no discurso inaugural.

A ação de grupos armados em Cabo Delgado são uma grande ameaça não só para o "país irmão" Moçambique, mas também para toda a África Austral, enfatizou.

O chefe de Estado do Botsuana assinalou que a ação de grupos terroristas no norte de Moçambique agravou-se com o ataque inédito à vila de Palma, no dia 24 de março.

"O ataque a Palma provocou muitas mortes, destruição de infraestruturas e um enorme sofrimento a milhares de pessoas obrigadas a ficar sem abrigo, alimentos e água", destacou.

Antes do discurso de Mokgweetsi Masisi, falou a secretária-executiva da SADC, Stergomena Lawrence Tax, tendo defendido "medidas concretas e decisivas contra a ameaça terrorista na África Austral".

"Este encontro vai-nos dar uma orientação clara sobre a abordagem coletiva que devemos seguir contra o terrorismo", enfatizou Tax.

O impacto da violência armada em Cabo Delgado não se irá limitar a Moçambique, porque vai espalhar o rasto de destruição e sofrimento humano por toda a SADC, acrescentou.

A violência desencadeada há mais de três anos na província de Cabo Delgado ganhou uma nova escalada há cerca de duas semanas, quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, que está a cerca de seis quilómetros dos multimilionários projetos de gás natural.

Os ataques provocaram dezenas de mortos e obrigaram à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária que atinge cerca de 700 mil pessoas na província, desde o início do conflito, de acordo com dados das Nações Unidas.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia, mas as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas reassumiram completamente o controlo da vila, anunciou na segunda-feira o porta-voz do Teatro Operacional Norte, Chongo Vidigal, uma informação reiterada esta quarta-feira pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona.

Leia Também: Moçambique: Países da SADC debatem hoje violência em Cabo Delgado

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