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Charles Michel rejeita a "insensibilidade" da desconsideração turca

O Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, rebateu hoje acusações de "insensibilidade" por não ter reagido à desconsideração das autoridades turcas pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, justificando ter pretendido evitar "um incidente público". 

Charles Michel rejeita a "insensibilidade" da desconsideração turca
Notícias ao Minuto

23:30 - 07/04/21 por Lusa

Mundo Charles Michel

Em reunião na quarta-feira em Ancara, só tiveram direito a cadeiras os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do Conselho Europeu, facto que levou a Comissão Europeia a protestar.

As imagens de vídeo da chegada de Erdogan e de Michel ao palácio presidencial para o encontro mostram a presidente da Comissão a expressar a sua surpresa com o lugar que lhe foi reservado, num sofá lateral diante do chefe da diplomacia turca, enquanto os dois líderes masculinos se sentavam em cadeiras situadas na zona nobre do salão, enquadradas pelas bandeiras da Turquia e da UE.

Em reação hoje divulgada, Michel reconhece que "as poucas imagens que foram divulgadas deram a impressão" de que "teria sido insensível a esta situação", o que recusa, invocando os seus "sentimentos profundos" e "princípios de respeito essenciais".

"Apesar de uma vontade manifesta de fazer bem, a interpretação estrita pelos serviços turcos das regras protocolares produziu uma situação desconcertante: o tratamento diferenciado ou mesmo desconsiderante da Presidente da Comissão Europeia", afirma Michel.

Muito comentado nas redes sociais, este incidente - já por muitos designado ironicamente como 'sofagate' - dominou a conferência de imprensa diária de hoje da Comissão Europeia, em Bruxelas, com o porta-voz Eric Mamer a admitir que "a presidente claramente ficou surpreendida, como se pode constatar no vídeo, mas preferiu colocar a substância à frente do protocolo ou da forma", o que considerou ter sido "a atitude correta".

Já quanto à atitude de Charles Michel, que nas imagens se vê a ocupar o seu lugar ao lado de Erdogan e a estender as pernas enquanto Von der Leyen abria os braços em jeito de interrogação, o porta-voz da Comissão escusou-se a tecer comentários, mesmo perante a insistência dos jornalistas, que perguntavam por que motivo não tinha o presidente do Conselho Europeu pedido uma terceira cadeira ou cedido a sua à presidente da Comissão.

Segundo o Presidente do Conselho Europeu, perante o entendimento do "caráter lamentável da situação" em Ancara, "optámos por não agravá-la com um incidente público, e privilegiar neste início de encontro a substância da discussão política que iríamos começar, Ursula e eu", com o líder turco.

No comunicado, Michel invoca a importância dos temas na agenda, incluindo, os Direitos das Mulheres e das Crianças, a defesa do Estado de Direito, Liberdade de Expressão e Imprensa, e que, "apesar de pressões contrárias", os dirigentes europeus "fizeram questão de organizar em Ancara uma conferência de imprensa conjunta" para "prestar contas sem tabus" sobre as discussões com a parte turca.

Michel afirma-se "duplamente entristecido", pela "impressão que teria sido indiferente à falha protocolar em relação a Ursula (von der Leyen)" e "porque esta situação ocultou o grande e benéfico trabalho geopolítico que realizamos juntos em Ancara".

A visita, adianta, "foi um momento importante no complexo processo de melhoria das relações da União Europeia com a Turquia" e "resultado de uma preparação minuciosa e de um trabalho diplomático feito há longos meses" para que o país-vizinho adote uma "abordagem mais construtiva no seu relacionamento com a UE".

Perante a insistência dos jornalistas, o porta-voz da Comissão reconheceu hoje que "a presidente deveria ter sido tratada exatamente da mesma maneira que o presidente do Conselho Europeu e o Presidente turco" e revelou que Von der Leyen, precisamente por "esperar que a instituição a que preside seja tratada com o protocolo que merece", já deu instruções à sua equipa para tomar as medidas necessárias para garantir que um incidente semelhante não volte a ocorrer no futuro.

Questionado sobre a leitura que se pode fazer do lugar no sofá que Erdogan reservou a Von der Leyen, aparentemente sexista, Eric Mamer alegou que não lhe cabe "fazer julgamentos sobre as causas que podem ter levado a que lhe tenham oferecido determinado tipo de assento", algo que "só as autoridades turcas podem explicar".

Leia Também: Governo austríaco crítica Turquia por tratamento dado a Von der Leyen

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