Meteorologia

  • 19 ABRIL 2021
Tempo
14º
MIN 11º MÁX 22º

Edição

Justiça argelina quer prisão para académico acusado de insultar preceitos

A Justiça da Argélia reivindicou hoje a "aplicação da lei", ou seja, uma pena de três a cinco anos de prisão para o académico Saïd Djabelkhir, acusado de "insultar os preceitos do islão".

Justiça argelina quer prisão para académico acusado de insultar preceitos
Notícias ao Minuto

23:59 - 01/04/21 por Lusa

Mundo Argélia

A informação foi transmitida pelo advogado de Saïd Djabelkhir à France-Presse (AFP).

O julgamento do académico argelino, de 53 anos, começou durante a manhã de hoje no concelho de Sidi M'Hamed, província de Argel. A data do veredicto ainda não é conhecida.

Saïd Djabelkhir é acusado por sete advogados e um outro académico de "ofender os preceitos do islão e dos ritos muçulmanos".

A legislação argelina prevê a punição com uma pena de prisão de três a cinco anos de pessoas que ofendam o profeta Maomé ou que denigram "o dogma e preceitos do islão, seja por escrito, desenho, declaração ou qualquer outro meio".

"Não tenho o que censurar. Tenho todos os argumentos para me defender", disse à AFP este académico especializado no sufismo -- uma corrente mística e contemplativa do islão que se espalhou, em particular, entre os séculos IX e XII -- pouco antes do início do julgamento.

Durante a audiência, Saïd Djabelkhir disse ao juiz que os trabalhos que produziu têm como propósito uma reflexão e interpretação dos textos que estão na fundação do islão, dá conta um órgão de comunicação social local.

À AFP, o investigador disse, durante uma entrevista feita recentemente, que "é necessário um grande esforço" para fazer uma reflexão nova sobre "os textos fundadores do islão", já que "as leituras tradicionais" não correspondem "às expectativas, necessidades e questões" do homem contemporâneo.

Licenciado em Ciências Islâmicas, autor de duas obras sobre religião, Saïd Djabelkhir considerou que está a ser acusado "por pessoas que não têm competência em matéria de religião".

Os advogados do académico referiram que a questão-chave do processo é haver um julgamento sobre matérias de índole religiosa sem haver especialistas no assunto a decidir.

Um outro advogado de Saïd Djabelkhir explicitou que o julgamento é uma "inquisição", considerando que as ideias que estão a ser debatidas em tribunal deveriam ser alvo de reflexão fora.

Em entrevista ao Le Figaro, publicada na terça-feira, o investigador disse que é a "primeira vez na história da Argélia que um académico é processado por ter se manifestado na sua área de competência", já que, "normalmente, as pessoas processadas são ativistas ou jovens" que publicaram conteúdos nas redes sociais, mas "não são especialistas no islão".

Leia Também: Nova manifestação na Argélia pela libertação de detidos denuncia tortura

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Quinto ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório