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"Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história"

Lula da Silva considera que o "sofrimento que o povo brasileiro está a passar" é maior do que qualquer crime cometido contra si. Afirma que o governo de Bolsonaro é "um desgoverno na área da saúde".

"Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história"

Lula da Silva compareceu esta quarta-feira numa conferência de imprensa na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo, para falar sobre a anulação das condenações relacionados com os processos da Operação Lava-Jato, mas também sobre a situação atual no Brasil. 

O local não terá sido escolhido por acaso. Há três anos, foi do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que Lula da Silva saiu para se entregar à polícia federal. 

"Sabia que este dia chegaria e chegou", começou por referir Lula. "Se há um cidadão que tem razões para estar zangado com as chibatadas que levou sou eu, mas não estou", prosseguiu, numa referência aos crimes que diz terem sido cometidos contra si. 

"Sei que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história", declarou Lula. "Sei que a minha mulher (Mariza Letícia) morreu por conta da pressão e o AVC se apressou", acrescentou. 

O petista frisou que o sofrimento porque passou acabou, mas que foi incomparável ao sofrimento que o povo brasileiro atravessa neste momento por causa da crise sanitária devido à pandemia e por causa do agravamento da pobreza. 

"O sofrimento que o povo brasileiro está a passar, o sofrimento que as pessoas pobres estão a passar neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. Não há maior dor para qualquer pessoa do que acordar de manhã e não ter a certeza se tem um pão com manteiga para comer e um café com leite para beber. Não há maior dor para qualquer pessoa do que não saber se pode dar o almoço a um filho", constatou Lula. 

"A dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas. É muito menor do que a dor das quase 270 mil pessoas que morreram e que não se puderam despedir dos seus familiares", continuou. 

Pandemia e as críticas a Bolsonaro, o governo e Moro

Abordado a pandemia, o antigo presidente fez duras críticas à atuação do governo de Jair Bolsonaro e sublinhou que as mortes devido à Covid-19 "podiam ser ter sido evitadas se o governo tivesse feito o elementar". 

"O governo é um verdadeiro desgoverno na área da saúde", constatou, antes de transmitir a sua "solidariedade para com os governadores que travam uma luta titânica para administrar vacinas contra um governo incompetente, um ministro da Saúde incompetente, pessoas que não amam a vida"

Lula da Silva fez ainda um apelo para os brasileiros serem inoculados com a vacina, anunciando que vai receber a sua na próxima semana. 

"Não importa de que país é, se é de uma ou duas doses e faço um apelo ao povo brasileiro. Não sigam os conselhos imbecis do presidente e do ministro da Saúde. Tomem a vacina!", pediu. 

Mas as críticas de Lula a Bolsonaro e ao seu governo foram além da crise pandémica. "Este país está totalmente desordenado e desgovernado porque não tem governo. Este governo não cuida do emprego, da economia, da saúde, do meio ambiente, dos jovens e das crianças. Do que é que eles cuidam?", questionou o petista, que depois disse que Bolsonaro "nunca foi nada na vida" e chamou-o de "fanfarrão". 

Sérgio Moro, o antigo juiz que condenou Lula no caso do apartamento triplex do Guarujá, em São Paulo, no âmbito da investigação sobre a Operação Lava-Jato, também não escapou às farpas do antigo presidente. 

"A quadrilha de procuradores e o Moro quiseram incriminar-me com a Lava-Jato (...) Vamos continuar a lutar para que o Moro seja considerado suspeito. Ele não tem o direito de ser candidato a maior criminoso na história do Brasil e ser considerado, ao mesmo tempo, um herói. Deus de barro não dura muito tempo", assinalou Lula da Silva. 

Há "muito para fazer" antes de pensar na candidatura em 2022

Sobre a eventual candidatura à presidência brasileira no próximo ano, o petista foi mais esquivo. "Temos muita coisa para fazer antes de pensarmos em nós", disse, acrescentando que "a candidatura será discutida mais à frente"

Lula assegurou que antes quer viajar pelo país, falar com as pessoas. "Não sei que decisão vamos tomar, mas vamos fazer alguma coisa", fez notar. 

O antigo presidente não só não descartou nova candidatura, como deixou uma garantia. Lula afirmou que sente-se "muito jovem" e que está "pronto para lutar". 

"Desistir jamais. Essa palavra não existe no meu dicionário", enfatizou.

[Notícia atualizada às 15h52]

Leia Também: Adiado julgamento sobre suspeição de Moro na condenação de Lula da Silva

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