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Guiné Equatorial: Catástrofe humanitária revela "grande fragilidade"

A socióloga Ana Lúcia Sá considera que a "catástrofe humanitária sem precedente" na Guiné Equatorial, após as explosões de domingo na cidade de Bata, revela uma "grande fragilidade do regime" na resposta às necessidades da população.

Guiné Equatorial: Catástrofe humanitária revela "grande fragilidade"
Notícias ao Minuto

07:48 - 10/03/21 por Lusa

Mundo Explosões

"É uma catástrofe humanitária sem precedentes, num país que não tem capacidade de resposta sanitária nem numa situação comum quanto mais para resolver uma situação de emergência", disse à agência Lusa a também investigadora do ISCTE-IUL (CEI-IUL), especializada em regimes autoritários em África, nomeadamente o da Guiné Equatorial.

"É um regime muito forte, mas ao mesmo tempo de uma grande fragilidade na forma como não dá respostas cabais às necessidades da população", acrescentou.

As explosões, que ocorreram durante a tarde de domingo no quartel militar Unidade de Intervenção Rápida de Nkuatama, na cidade continental de Bata, destruíram completamente as instalações militares e centenas de casas num raio de quilómetros.

De acordo com o balanço provisório, mais de 100 pessoas morreram e para cima de 600 ficaram feridas, além de várias centenas de desalojados.

"Até ontem não havia soluções estatais para acolhimento de desalojados e a aceções que estão a ser feitas até agora para recolha de fundos estão a ser feitas a partir de quem vive na diáspora", apontou a também coordenadora e professora do mestrado em Estudos Africanos do ISCTE-IUL.

"É uma catástrofe humanitária sem precedentes neste país que não está a ter resposta adequada às consequências. Até hoje há várias pessoas que continuam a sair da cidade de Bata porque têm medo de réplicas ou de mais explosões", sublinhou.

Ana Lúcia Sá teme à catástrofe humanitária se junte uma catástrofe sanitária por falta de capacidade de resposta para todos os feridos que têm de ser tratados em consequência das explosões, num contexto em que o país enfrenta também as consequências da pandemia de covid-19.

Por outro lado, há também a necessidade de sepultar as mais de 100 vítimas mortais.

Desde a sua independência de Espanha em 1968, a Guiné Equatorial, um dos principais produtores de petróleo de África, é considerado pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a acusações de detenções e torturas de dissidentes e alegações de fraude eleitoral.

O chefe de Estado de 78 anos, Teodoro Obiang, governa o país com mão de ferro desde 1979, quando derrubou o seu tio Francisco Macias num golpe de Estado, e é o Presidente com o mandato mais longo do mundo.

A Guiné Equatorial foi admitida na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2014, num processo controverso e mediante o comprimento de um roteiro que previa a abolição da pena de morte, a adoção do português como língua oficial entre outras condições.

Leia Também: Governo diz que cinco portugueses em Bata estão ilesos e em segurança

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