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"Por favor, matem-me". Freira protege manifestantes em Myanmar

A freira, de 45 anos, pôs-se na frente dos manifestantes e suplicou ao exército de Myanmar que não disparasse sobre eles.

"Por favor, matem-me". Freira protege manifestantes em Myanmar

A irmã Ann Roza Nu Tawng, de 45 anos, arriscou a própria vida para salvar os manifestantes de Myanmar da ação da polícia. Em lágrimas, implorou aos oficiais: "Por favor, matem-me. Eu não quero ver pessoas a serem mortas".

Em imagens captadas no dia 28 de fevereiro, em Myitkyina, no estado de Kachin, Ann Roza é vista a implorar à polícia e aos soldados para não dispararem.

A intervenção tem sido apelidada de Myanmar's 'Tiananmen moment', numa alusão a um dos momentos mais icónicos que simboliza a luta pela liberdade na história recente, no Massacre de Tiananmen.

Em 1989, um homem, que segurava um saco em cada uma das mãos, parou heroicamente em frente dos tanques militares nas imediações da Praça Tiananmen, em Pequim. O homem levantou a mão direita para pedir aos militares que parassem e, por breves momentos, o pedido foi aceite.

À Sky News, a irmã Ann Roza contou que estava numa clínica a trabalhar e avistou um grupo de manifestantes, seguidos pelos militares. "Eles abriram fogo e começaram a bater nos protestantes. Eu fiquei chocada e pensei: 'Hoje é o dia para morrer'. Eu decidi morrer", recordou.

A religiosa intercedeu pelos protestantes junto dos militares, alegando que estes não tinham cometido nenhum crime. "Eu chorava como uma louca. Eu era como uma mãe galinha a proteger os pintainhos", disse ainda.

Em lágrimas, Ann Roza tencionava "ajudar as pessoas a escapar e parar a ação das forças de seguranças".

Um dos militares disse então à freira: "Não se preocupe tanto, nós não vamos disparar sobre eles". Mas Ann Roza, habituada a cenários de guerra, não acreditava que os militares não fossem disparar sobre os manifestantes.

A freira acabou depois por levar um dos protestantes feridos para a clínica, para ser tratado.

Veja as imagens do momento:

Pelo menos 54 manifestantes, incluindo cinco menores, morreram e centenas ficaram feridos devido a tiros de polícias e soldados durante os protestos, contra o golpe de 1 de fevereiro, que se repetem diariamente em todo o país.

Além disso, mais de 1.500 pessoas, incluindo políticos, ativistas, jornalistas e monges, foram detidas desde o golpe militar e mais de 1.200 continuam presas, incluindo Suu Kyi, de 75 anos, que está incomunicável em prisão domiciliária.

A junta militar continua com uma campanha de desinformação nos media oficiais, na qual insiste que houve fraude eleitoral nas eleições de novembro passado, embora estas tenham sido validadas por observadores internacionais, e no desempenho correto das forças de segurança.

Os militares cortaram o acesso à Internet todas as noites durante semanas, como parte das medidas repressivas contra a população, que lançaram um movimento de desobediência civil contra o golpe.

Dias depois do levante militar, durante o qual parte do Governo eleito de Suu Kyi foi preso, a junta militar cortou o acesso a redes sociais como Facebook e Twitter para impedir que os cidadãos organizassem e compartilhassem vídeos, mas muitos contornam o bloqueio por meio de VPN.

Os manifestantes exigem que o exército liberte os presos, permita o retorno à democracia e reconheça o resultado das eleições de novembro passado, nas quais a Liga Nacional para a Democracia foi a vencedora.

Leia Também: Exército dispara munições reais contra manifestantes em Myanmar

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