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Paraguai troca ministros mas manifestações exigem renúncia do Presidente

O Presidente paraguaio, Mario Abdo, anunciou quatro mudanças ministeriais numa tentativa de pacificar os protestos contra a má gestão sanitária, mas milhares de manifestantes voltaram a marchar pela sua renúnci, aenquanto os líderes opositores querem a sua destituição.

Paraguai troca ministros mas manifestações exigem renúncia do Presidente
Notícias ao Minuto

08:47 - 07/03/21 por Lusa

Mundo Covid-19

A segunda noite de manifestações prometia terminar sem novos episódios de violência, mas, já na madrugada deste domingo, a Polícia Nacional paraguaia reprimiu com balas de borracha e bombas de gás lacrimogéneo um grupo de manifestantes que lançou pedras contra os agentes de segurança, iniciando novos episódios de confronto, desta vez em frente à residência presidencial de Mburuvicha Róga.

O grupo de aproximadamente 200 manifestantes tinha-se deslocado até à residência oficial depois de passar a noite no centro de Assunção numa marcha que convocou milhares de pessoas a exigirem a renúncia do Presidente paraguaio, acusado de ser o principal responsável pela falta de material médico, de medicamentos e de vacinas contra a covid-19.

Ao chegarem à residência presidencial, os manifestantes encontraram uma barreira de agentes policiais que os impediu de continuar. A tensão transformou-se num ataque e oito pessoas foram presas.

A segunda noite de protestos contra o Presidente começou com uma marcha em frente ao Parlamento, no mesmo ponto onde, 24 horas antes, uma pessoa morreu e 26 ficaram feridas, entre manifestantes e polícias, devido ao violento choque de jatos de água, balas de borracha e gás lacrimogéneo, por parte da Polícia, e de pedras, por parte dos manifestantes.

O protesto foi convocado através das redes sociais sem siglas partidárias. Sob bandeiras do Paraguai e palavras de ordem, a nova marcha avançou do Palácio Legislativo ao Panteão dos Heróis, passando antes pela sede do Partido Colorado aos qual pertence o Presidente.

"Fora Marito", gritava a multidão em coro em referência ao Presidente Mario Abdo, o "Marito".

A revolta sanitária provocou uma crise política e, enquanto a marcha avançava, o Presidente anunciava a troca de quatro ministros para, como explicou, "pacificação do país".

"O meu compromisso é o de escutar a todos. Vou nomear novos ministros para os Ministérios da Saúde, da Mulher, da Educação e do Gabinete Civil e continuaremos a estudar outras mudanças para a semana", anunciou o Presidente, acrescentando estar "consciente de que a população espera mudanças".

"O mandato será o de fazer todos os esforços possíveis para garantir o fornecimento de medicamentos em tempo oportuno com o estrito respeito aos processos administrativos vigentes", prometeu Mario Abdo.

Em rigor, a troca do ministro da Saúde já tinha sido anunciada na tarde de sexta-feira numa tentativa frustrada de conter o protesto anunciado para aquele dia.

No entanto, o anúncio do Presidente foi visto como uma medida cosmética que não atende a principal exigência dos protestos: a renúncia do próprio Presidente Mario Abdo e a do seu vice, Hugo Velázquez, para que possam ser convocadas novas eleições.

O Governo é criticado tanto pela falta de uma política sanitária eficaz quanto por suspeitas de corrupção nos processos de compra de material médico.

O Índice de Perceção da Corrupção da ONG Transparência Internacional, divulgado há duas semanas, aponta o Paraguai como o segundo país mais corrupto da América do Sul, atrás apenas da Venezuela.

O sábado começou com uma reunião dos líderes dos principais partidos da oposição que coincidiram em apoiar as manifestações e em trabalhar para a saída do Presidente Mario Abdo, quer através da renúncia quer através de um processo de destituição, permitindo a posse interina do Presidente do Congresso, Óscar Salomón, quem convocaria novas eleições em 90 dias.

"Têm de deixar o Governo pela via da destituição, pela via da renúncia ou pela via das manifestações e da pressão popular", resumiu Carlos Filizzola, presidente da Frente Guasu.

"O Presidente e o vice têm de deixar o cargo e estamos a definir um plano de trabalho para isso", acrescentou Efraín Alegre, presidente do Partido Liberal, o principal da oposição.

Com sete milhões de habitantes, o Paraguai tem 166 mil casos, 3.278 falecidos e uma estrutura precária de Saúde em colapso.

Foram dadas apenas quatro mil doses da Sputnik V e, neste sábado, chegou uma doação de 20 mil doses da chinesa CoronaVac por parte do Governo chileno.

Leia Também: Paraguai palco de conflitos entre polícia e manifestantes anti-Presidente

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