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Procurador australiano nega acusações de violação e recusa demitir-se

O procurador-geral australiano, Christian Porter, anunciou hoje ser o membro do Governo contra o qual tinham sido feitas acusações de violação, num caso alegadamente ocorrido há 33 anos, rejeitando-as categoricamente e recusando demitir-se.

Procurador australiano nega acusações de violação e recusa demitir-se

Há uma semana que a Austrália se questionava sobre a identidade do político acusado de violar, em 1988, uma adolescente de 16 anos, que se suicidou no ano passado, sem nunca apresentar formalmente queixa.

Devido às leis de difamação, muito rigorosas na Austrália, o nome do acusado não podia ser divulgado, a menos que fosse o próprio a fazê-lo.

Porter, de 50 anos, que tinha 17 anos quando conheceu a jovem, anunciou à imprensa que era ele a pessoa contra quem as acusações eram feitas, mas desmentiu-as, emocionado.

"Estas alegações nunca aconteceram", repetiu, durante uma longa conferência de imprensa, em Perth.

O principal conselheiro jurídico do Governo australiano disse que não se demitiria, mas anunciou que tiraria alguns dias para tentar recuperar do stress provocado pelo caso.

"Discuti isto com o primeiro-ministro. Após consulta com o meu médico, tirarei um curto período de tempo para avaliar e, espero, melhorar a minha saúde mental", explicou.

O caso chegou às notícias na semana passada, depois de o primeiro-ministro australiano e deputados terem recebido uma carta com acusações de que de Porter teria violado uma jovem de 16 anos, em 1988, que se suicidou em 2020, com 49 anos.

Porter, que tinha 17 anos à data da alegada violação, disse que conheceu a jovem numa competição de debates entre estudantes e que não voltou a vê-la desde janeiro de 1988, negando as acusações.

"A toda a família e amigos atenciosos que me têm perguntado se estou bem, tenho de dizer, 'não sei mesmo'", disse, visivelmente emocionado.

Na terça-feira, a polícia do estado australiano de New South Wales, que tinha começado a investigar o caso, anunciou que "não havia provas admissíveis suficientes para continuar" a investigação.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, recusou-se a demitir a pessoa acusada, explicando que o alvo das acusações as rejeitara e que o caso era um assunto para a polícia.

Este novo caso surgiu menos de um mês depois de o executivo australiano ter sido abalado por outra acusação de violação, com uma antiga funcionária do Governo a afirmar ter sido violada em 2019, no gabinete parlamentar da atual ministra da Defesa, queixando-se de não ter tido então apoio das chefias.

Brittany Higgins, então com 24 anos, trabalhou alguns meses para Linda Reynolds, à época ministra da Indústria da Defesa.

Em meados de fevereiro, afirmou que foi violada em 2019 por um colega, no gabinete parlamentar da ministra, após uma noite de copos com outros colegas do Partido Liberal.

A ministra está atualmente de baixa médica.

O primeiro-ministro australiano defendeu inicialmente a forma como o seu governo lidou com o caso, mas acabaria por pedir desculpa.

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