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Lasso aceita recontagem dos votos nas presidenciais no Equador

O candidato presidencial conservador Guillermo Lasso aceitou hoje o pedido do rival indígena Yacu Pérez, para um novo escrutínio das eleições presidenciais realizadas no passado domingo no Equador, dentro do "marco da lei" para transparecer a democracia.

Lasso aceita recontagem dos votos nas presidenciais no Equador
Notícias ao Minuto

19:14 - 12/02/21 por Lusa

Mundo Equador

"Sou o primeiro interessado em que a prevaleça a transparência, acima dos interesses partidários e pessoais está o bem estar do Equador", afirmou numa reunião com Pérez na sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Quito, sob supervisão da Organização dos Estados Americanas (OEA).

A decisão e o alcance da recontagem dependem agora do plenário do órgão eleitoral que vai estudar o caso e depois de o governo ter estabelecido o pressuposto para o efeito.

Chefiado pela presidente da CNE, Diana Atamaint, e os quatro assessores, o encontro, transmitido pela televisão e também via Internet, foi aberto por Pérez, alertando para a "desapropriação histórica" aos equatorianos.

"A história do Equador está marcada pela expropriação", afirmou o candidato indígena à Presidência, valendo-se da história colonial e da indústria de extração, assegurando que a "expropriação ainda não acabou" e que "levaram tudo" aos equatorianos.

"A desapropriação continua, hoje é a dos votos, a desapropriação de todo um sonho, um projeto, da verdadeira esperança", afirmou, acusando "um novo Nostradamus" que "sabia de antemão os resultados" e que "não está no Equador", numa clara alusão ao ex-Presidente Rafael Correa (2007-2017).

Pérez pediu que, dadas as numerosas incoerências que surgiram em todas as províncias, se fizesse uma contagem geral, de acordo com o pedido que apresentou hoje de manhã no Tribunal Constitucional.

Lasso, que falou a seguir, disse ter levantado o desafio "sendo fiel e coerente" com o seu "absoluto espírito democrático".

De acordo com os últimos dados oficiais da CNE, com 99,65% dos votos escrutinados, o candidato correísta, Andrés Arauz, lidera os votos com 32,70%, seguido de Lasso com 19,74% e Pérez com 19,38%, criando indefinição para a segunda volta.

Lasso apoiou "a proposta" de recontar os votos sempre e quando se seja feita "dentro do marco da lei".

"Que a contagem dos votos seja revista dentro do marco da lei, porque se não tomarmos como base a lei, estaríamos a abandonar o Estado de direito, e isso é o caminho mais perigoso para produzir o caos, uma desordem totalmente longe do objetivo do povo equatoriano", vincou.

A lei estipula que os resultados eleitorais devem ser apresentados à população até 10 dias depois das eleições, ou seja, na próxima quarta-feira.

Isso vai dificultar a realização de um escrutínio completo, como exige Pérez, de modo que o alcance da revisão poderia realizar-se apenas em sete províncias.

O candidato conservador estendeu a mão a Pérez para uma luta comum contra o correísmo -- vencedor das eleições de domingo lideradas pelo candidato Andrés Arauz -, que qualificou como violador de "direitos" e "liberdades".

"Este diálogo é imperativo e necessário, a maioria dos equatorianos exige-o, porque mais de 68% da população disse não a esse modelo e votou a favor de outras alternativas", sublinhou Lasso.

O candidato conservador alertou ainda que a maior parte desses votos tiveram o "denominador comum de não permitir que o modelo totalitário regresse ao Equador, que tudo o que fez foi dividir a sociedade equatoriana, cometer atos de corrupção e enganar o povo equatoriano".

A nova contagem dos votos, caso aconteça, pode prolongar-se devido às ramificações legais que implica, e que estão a ser estudadas à porta fechada depois de a CNE ter pedido à imprensa para abandonarem a reunião pela sensibilidade do caso.

De qualquer forma, de acordo com os diversos meios de comunicação locais, parece que a CNR já tem um estudo jurídico do caso com as possíveis variantes à sua disposição.

A decisão sobre uma possível recontagem, assim como a recontagem em si mesmo, pode também ser adiada porque no sábado começa a ponte do feriado de Carnaval no Equador, que praticamente paralisa o país durante quatro dias.

O Equador vive desde as eleições gerais de domingo uma tensa indefinição quanto ao candidato que passa à segunda volta, com o movimento indígena a ameaçar tomar as ruas e as autoridades a apelarem à calma.

O movimento indígena denuncia um complô político entre Guillermo Lasso e o ex-Presidente Rafael Correa, padrinho político do candidato Andrés Arauz, que ficou em primeiro lugar e tem por isso vaga garantida na segunda volta.

Rafael Correa vive na Bélgica e não pode voltar ao Equador sem ser preso. Foi condenado a oito anos de prisão por corrupção e tenta voltar ao país através do seu candidato, que promete indultar o ex-Presidente.

Leia Também: Equador vive indefinição eleitoral com risco de tensão nas ruas

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