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Duas mil pessoas protestam na Tunísia contra a repressão policial

Cerca de 2.000 pessoas manifestaram-se hoje no centro da capital da Tunísia, por entre um forte dispositivo policial, contra uma política de segurança repressiva denunciada por dezenas de organizações nas últimas semanas.

Duas mil pessoas protestam na Tunísia contra a repressão policial
Notícias ao Minuto

17:13 - 06/02/21 por Lusa

Mundo Tunísia

O protesto em Tunes, convocado por várias organizações entre as quais a principal central sindical, a UGTT, começou na Praça dos Direitos Humanos, a poucas centenas de metros do Ministério do Interior, e seguiu para a Avenida Habib Bourguiba, símbolo da revolução de 2011, cujos acessos foram bloqueados pela polícia logo pela manhã.

Os manifestantes gritaram "Abaixo o regime da Irmandade Muçulmana", "Abaixo os torcionários do povo" ou "Liberdades", e dirigiram palavras de ordem hostis ao presidente do Parlamento, Rached Ghannouchi, líder do partido islamista Ennahdha, no poder.

No protesto, os manifestantes exigiram a libertação de milhares de jovens detidos em recentes manifestações antissistema - mais de 1.500, segundo a Liga de Defesa dos Direitos Humanos tunisina - e renderam homenagem a Chokri Belaid, um opositor de esquerda fortemente crítico do Ennahdha assassinado a 06 de fevereiro de 2013, cuja morte mergulhou o país numa crise política.

Políticos de esquerda, incluindo deputados, participaram na manifestação de hoje.

"Hoje, houve um atentado ao direito dos cidadãos de circulação e de manifestação. Cenas destas lembram-nos antigas práticas do regime de Zine El Abidine Ben Ali", deposto na revolução de 2011, afirmou a vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas da Tunísia, Amira Mohamed.

Na sexta-feira, dezenas de organizações denunciaram excessos da polícia e pediram sanções contra sindicatos da polícia que ameaçaram manifestantes.

Os protestos antissistema têm-se multiplicado nas últimas semanas, num contexto de elevada tensão política entre o Presidente, Kais Saied, o primeiro-ministro, Hichem Mechichi, e o Ennahdha, na sequência de uma remodelação governamental.

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