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Opositor ugandês interpõe processo em tribunal para anular presidenciais

O opositor ugandês Bobi Wine apresentou hoje um processo judicial com vista a anular as eleições presidenciais que permitiram a reeleição de Yoweri Museveni, no poder há 35 anos.

Opositor ugandês interpõe processo em tribunal para anular presidenciais
Notícias ao Minuto

13:15 - 01/02/21 por Lusa

Mundo Uganda

Bobi Wine, cujo verdadeiro nome é Kyagulanyi Ssentamu, não aceitou os resultados eleitorais que deram a vitória a Museveni nas eleições do mês passado, procurando justiça num tribunal que tem estado relutante em decidir contra o chefe de Estado.

O Supremo Tribunal decidiu por três vezes que as irregularidades eleitorais não eram suficientemente substanciais para afetar o resultado.

Museveni venceu as eleições de 14 de janeiro, com 58% dos votos, enquanto Bobi Wine obteve 35%, de acordo com os resultados anunciados na semana passada pela comissão eleitoral, após a contabilização dos resultados de quase todas as mesas de voto.

O opositor acusou as autoridades eleitorais de declararem "resultados cozinhados", alegando irregularidades no processo e exortou os seus apoiantes a protestarem contra a derrota, através de meios não violentos.

Apesar das afirmações de fraude, o partido de Boni Wine, Plataforma Nacional de Unidade, manifestou-se dividido em ir para tribunal, com alguns membros a considerarem "uma total perda de tempo", enquanto outros argumentaram que era necessário "expor Museveni e ir para tribunal", disse Joel Ssenyonyi, um porta-voz do partido.

Anthony Wameli, um advogado ugandês que faz parte da equipa jurídica de Wine, disse que conseguiram reunir "provas evidentes" de má fé e que iriam "dissecar os cadernos eleitorais" na tentativa de provar que a vitória de Museveni é inválida. E acusou os agentes estatais de deterem mais de 1.000 apoiantes de Bobi Wine, antes e depois das eleições.

"Estamos a fazer tudo na clandestinidade", disse, acrescentando: "Vamos procurar proteção de testemunhas".

Ladislaus Rwakafuuzi, um analista independente e advogado ligado aos direitos humanos no Uganda, disse acreditar que Bobi Wine terá dificuldades em convencer o painel de juízes a anular a vitória de Museveni, mesmo que haja fortes provas.

"O único problema são os juízes", afirmou. "Os juízes querem estabilidade, sabem que se anularem uma eleição isso pode causar um golpe de Estado ou instabilidade. É isso que eles temem".

As eleições do Uganda foram marcadas pela violência antes do dia da votação, bem como pelo encerramento da internet que, permaneceu em vigor até quatro dias após a votação. Os sites dos meios de comunicação social continuam restritos.

A polícia cercou a casa de Bobi Wine durante dias após as eleições, com as autoridades a alegarem a necessidade urgente de o impedir de liderar protestos.

Retiraram-se da residência de Wine na semana passada, após um juiz ter decidido que a casa do opositor não é um centro de detenção.

Cantor popular antes de ganhar um lugar no parlamento do Uganda, Bobi Wine, 38 anos, emergiu como a figura da oposição mais poderosa do país.

Desde a independência da Grã-Bretanha, em 1962, o Uganda nunca assistiu a uma transferência pacífica de poder.

Leia Também: Supremo do Uganda ordena levantamento do bloqueio domiciliário de Wine

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