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Le Pen apresenta plano contra o islamismo a 15 meses das presidenciais

A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen apresentou hoje o seu plano para banir as "ideologias islamitas" da sociedade, a 15 meses das eleições presidenciais em que pretende surgir como a principal rival do Presidente Emmanuel Macron.

Le Pen apresenta plano contra o islamismo a 15 meses das presidenciais
Notícias ao Minuto

19:12 - 29/01/21 por Lusa

Mundo Extrema-direita

O uso do véu permanece na agenda do seu partido, União Nacional (RN, na sigla em francês), que propõe a proibição de "comportamentos islamitas" no espaço público.

A questão em torno do uso do véu islâmico tem inflamado desde há décadas os debates políticos e sociais em França, país onde a religião tende a ser remetida para a esfera privada.

Hoje, o uso do véu islâmico, à semelhança de qualquer símbolo religioso ostentatório, é proibido nas escolas de França enquanto os agentes públicos estão sujeitos ao princípio de "neutralidade".

"O véu é um traje militante que pretende efetua a secessão" com a República, considera o número dois do RN, Jordan Bardella.

Estas declarações surgem num momento em que a Assembleia Nacional examina um projeto-lei contra o "separatismo" e que visa em particular o islamismo radical, sobre o qual o RN denuncia a falta de "coragem".

O texto do RN propõe a "proibir" a "prática, a manifestação e ainda a difusão pública" -- no cinema, nos media ou nas escolas -- das "ideologias islamitas".

Mas "não se trata de coartar a liberdade de consciência", assegura o eurodeputado Jean-Paul Garraud, o principal autor desde "contraproposta", em artigo publicado no diário Figaro.

"Trata-se de proibir toda a manifestação pública de uma ideologia que constitui, por si própria, uma grave perturbação da ordem pública. Foi já o caso, por exemplo, do nazismo".

No seu texto, o RN não define com precisão as "ideologias islamitas", mas caracteriza-as pela sua "incompatibilidade" com os "direitos, liberdades e princípios" inscritos na Constituição, pela sua "recusa em respeitar a laicidade do Estado", ou ainda pelos "fatores de grandes fraturas que induzem".

Para Marine Le Pen, o islamismo "está em todo o lado, desenvolve-se nas administrações públicas" mas também "nas empresas".

O RN apela aos patrões para "inscreverem no seu regulamento interno a possibilidade de neutralidade religiosa", que supõe a interdição do uso do véu, segundo Bardella.

O texto considera ainda de qualquer delito ou crime relacionados com estas ideologias "uma circunstância agravante", e autoriza pelo mesmo motivo a retirada da nacionalidade francesa.

Por seu lado, o projeto do Governo prevê uma série de medidas sobre a neutralidade do serviço público, a luta contra o ódio nas redes sociais, a educação no ambiente familiar, o controlo reforçado das associações, uma melhor transparência dos cultos.

"Marine Le Pen tem uma vantagem: é a notoriedade do seu partido sobre a denúncia do islamismo", considerou Jean-Yves Camus, especialista em movimentos de extrema-direita, interrogado pela agência noticiosa AFP.

Marine Le Pen, já duas vezes candidata às presidenciais e largamente derrotada por Emmanuel Macron em 2017 com 33% dos votos, permanece em alta nas intenções de voto para a eleição de 2022.

Uma sondagem Harris Interactive não publicada mas divulgada por diversos jornais, coloca a candidata da extrema-direita com 48% de votos numa segunda volta, batida por escassa margem por Macron.

"A hipótese da minha vitória é uma hipótese credível e mesmo plausível", declarou hoje Marine Le Pen em conferência de imprensa.

A pandemia originou "uma situação de angústia generalizada que pode beneficiar a União Nacional", segundo Jean-Yves Camus.

"Mas é necessário precisar que é ainda muito cedo para levar as sondagens a sério", alertou.

Em janeiro de 2016, 15 meses antes das presidenciais, poucos institutos de sondagens tinham detetado a ascensão de Emmanuel Macron nas preferências de votos.

Leia Também: Mais de duas centenas na rua contra presença de Le Pen em Portugal

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