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Dívida em África está ao nível da iniciativa mundial de alívio em 1996

O diretor da agência de notação financeira Fitch Ratings para África e Médio Oriente alertou hoje que os níveis de endividamento da África subsariana estão ao nível dos que motivaram uma iniciativa mundial em 1996.

Dívida em África está ao nível da iniciativa mundial de alívio em 1996
Notícias ao Minuto

12:50 - 28/01/21 por Lusa

Mundo Fitch

"Estamos no nível em que estávamos quando foram implementadas as grandes iniciativas mundiais de alívio da dívida para os países mais endividados, há mais de 20 anos, e há já vários países onde os juros da dívida representam mais de 30% das receitas, como Angola, Gana, Nigéria e Zâmbia", disse Jan Friederich durante uma conferência sobre as economias da África subsaariana.

Na conferência virtual organizada pela Fitch Ratings a partir de Hong Kong, o responsável exprimiu preocupação com o elevado nível médio na região, que coloca "problemas ao nível da sustentabilidade" tendo em conta a diminuição das receitas e o aumento do custo do endividamento, num contexto de baixo crescimento das economias da região.

Salientando que a Fitch não desceu o rating de qualquer país por ter aderido à Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), como fez por exemplo a Moody's, o analista salientou que "uma das consequências imediatas desta crescente vulnerabilidade é que o FMI nunca, nos últimos 30 anos, tinha ajudado tanto os países africanos, mesmo comparando com o ano da crise financeira mundial".

Na região, houve 11 países que aderiram à DSSI, entre os quais Moçambique, Cabo Verde e Angola, mas também o Quénia, que assinou apenas a versão mais recente, que estende esta moratória sobre os pagamentos da dívida até final do primeiro semestre.

"A DSSI não levou a qualquer mudança no 'rating', nós focamo-nos nos sinais do emissor sobre a vontade de procurar alargamentos ou renegociações dos pagamentos, e isso em princípio pode descer o 'rating', mas no caso da DSSI decidimo que isso não é uma qualquer deterioração no compromisso de servir a dívida, é simplesmente um sinal de que há uma crise global e que a comunidade internacional está a trabalhar com os países emissores de dívida que estão em dificuldades", argumentou o analista.

Sobre os montantes em causa, que variam consoante a fonte consultada, Jan Friederich disse que "o valor da suspensão dos pagamentos da dívida é bastante diminuto, apesar de ser bastante difícil avaliar qual é o benefício para os países, porque há números que não estão disponíveis e os valores calculados com base na avaliação do Banco Mundial indicam que o montante geral foi sobre-estimado por causa dos critérios restritivos de aplicação, particularmente na China".

Onde o valor é conhecido é em Angola, que terá negociado um alívio de dívida no valor de 6,2 mil milhões de dólares até 2023, segundo anunciou a ministra das Finanças angolana, Vera Daves de Sousa.

"Angola beneficiou bastante, foi uma exceção, tal como o Congo, mas foram casos poucos habituais", apontou, concluindo que "seria bastante surpreendente se a DSSI não for alargada até final deste ano".

A DSSI foi criada em abril do ano passado pelo G20, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial para adiar os pagamentos de dívida dos países mais vulneráveis, mas acabou por ter uma adesão limitada na medida em que defendia que os países deviam procurar termos iguais junto dos credores privados, o que implicaria uma descida automática do rating dado pela Moody's e pela Standard & Poor's, dificultando o acesso aos mercados internacionais e, por conseguinte, o financiamento do desenvolvimento económico.

África registou nas últimas 24 horas mais 1.039 mortes por covid-19 para um total de 87.937 óbitos, e 20.177 novos casos de infeção, segundo os últimos dados oficiais da pandemia no continente.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o número total de infetados é de 3.494.117 e o de recuperados nos 55 Estados-membros da organização nas últimas 24 horas foi de 21.941, para um total de 2.977.335 desde o início da pandemia.

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.159.155 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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