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RCA: Dupla ofensiva das Forças Armadas matou 94 rebeldes

Uma dupla ofensiva das Forças Armadas da República Centro-Africana (RCA), apoiadas por forças ruandesas e russas, matou 94 rebeldes que rejeitam a eleição do Presidente, Faustin Archange Touadéra, disseram hoje fontes governamentais à agência noticiosa Efe.

RCA: Dupla ofensiva das Forças Armadas matou 94 rebeldes

O Exército lançou duas operações na tarde de segunda-feira que resultaram na morte de 44 rebeldes em Boyali, no norte do país, e cerca de 50 em Boda, uma cidade a 195 quilómetros da capital centro-africana, Bangui.

As informações foram anunciadas pelo ministro da Comunicação da RCA e porta-voz do Governo, Ange Maxim Kazagui, à Efe, não tendo este apresentado as baixas registadas pelas forças centro-africanas.

"O nosso Exército e as tropas aliadas lançaram uma ofensiva na cidade de Boyali contra as posições rebeldes que estão a desestabilizar o país. As nossas forças mataram 44 combatentes inimigos, incluindo chadianos, sudaneses e elementos renegados do Exército nacional", afirmou.

"Em Boda, a sul da capital, os nossos corajosos soldados librtaram a localidade que estava sob o controlo das forças inimigas. Durante a ofensiva das nossas tropas, cerca de 50 combatentes inimigos foram neutralizados", acrescentou o governante e porta-voz.

Em 17 de dezembro, seis dos grupos armados rebeldes que ocupam dois terços da RCA aliaram-se na Coligação de Patriotas para a Mudança (CPC), tendo, em 19 de dezembro, oito dias antes das eleições presidenciais e legislativas, anunciado uma ofensiva para impedir a reeleição do Presidente, Faustin Archange Touadéra.

Desde aí, Bangui tem sido bloqueada pelos principais grupos armados, que realizaram vários ataques a importantes estradas nacionais que ligam a capital a países vizinhos.

Segundo Kazagui, os confrontos envolveram dezenas de rebeldes da CPC que pretendiam atacar a capital, à semelhança do que aconteceu em 13 de janeiro, num ataque repelido pelas Forças Armadas e pela missão da ONU no país (Minusca).

Na quarta-feira passada, a missão das Nações Unidas na RCA, Minusca, criticou as tentativas de os rebeldes no país asfixiarem a capital, Bangui, alertando para a "tragédia social e humanitária" que poderá afetar a população.

Segundo as Nações Unidas, o preço de alguns produtos essenciais aumentou pelo menos 50% em alguns lugares do país, o segundo mais pobre do mundo e com mais de um terço da população a enfrentar um elevado nível de insegurança alimentar.

Depois de decretar um recolher obrigatório em todo o território nacional entre as 20:00 locais (19:00 em Lisboa) e as 05:00 locais (04:00 em Lisboa) para lutar contra o avanço dos rebeldes depois de estes terem tomado a cidade de Bangassou, o Governo da RCA decretou duas semanas de estado de emergência em todo o território em 22 de janeiro.

Segundo o porta-voz presidencial, Alberto Yaloké Mokpeme, o país enfrenta "uma tentativa de golpe de Estado por parte da coligação rebelde e a segurança da população e das instituições está sob uma forte ameaça".

A reeleição na primeira volta do Presidente, Faustin Archange Touadéra, com 53,16% dos votos, foi validada em 18 de janeiro pelo Tribunal Constitucional, que rejeitou recursos dos opositores que alegavam "fraude eleitoral generalizada".

Touadéra tinha sido declarado reeleito em 04 de janeiro após uma votação que foi contestada pela oposição e na qual apenas um em cada dois eleitores recenseados teve a oportunidade de votar por causa da insegurança fora da capital, Bangui.

O Tribunal validou a taxa de participação eleitoral em 35,25%, muito abaixo dos 76,31% anunciados provisoriamente pela comissão eleitoral em 04 de janeiro.

A missão das Nações Unidas no país, Minusca, perdeu, pelo menos, sete Capacetes Azuis desde o lançamento, no final do ano, de ataques coordenados e simultâneos dos grupos armados reunidos na coligação anti-Balaka, aliados do antigo presidente François Bozizé.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então Presidente François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a Minusca e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

Leia Também: Violência. Mais de 84 mil refugiados e 100 mil deslocados na RCA

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