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Rússia detém mais de 3.400 manifestantes que exigem libertação de Navalny

Manifestações ocorrem hoje em várias cidades russas. Manifestantes pedem a libertação de Alexei Navalny.

A polícia russa já deteve mais de 3.400 pessoas em manifestações que decorreram hoje em dezenas de cidades russas, segundo o OVD-Info, um grupo não governamental que contabiliza detenções por motivos políticos.

Os protestos realizados este sábado foram convocados após a detenção do líder da oposição russa, Alexei Navalny, que decorreu na semana passada.

Os manifestantes - que enfretam temperaturas de 50 graus negativos - exigem ao Kremilin que liberte Navalny.

Só em Moscovo, mais de 5 mil pessoas encheram a Praça Pushkin, no centro da capital, onde surgiram desacatos com a polícia que foram rapidamente terminados quando a polícia de choque arrastou os manifestantes para as carrinhas de detenção, incluindo a mulher do líder da oposição, Yulia Navalnaya.

Os protestos estenderam-se a todo o vasto território da Rússia, desde a ilha de Yuzhno-Sakhalinsk, a norte do Japão, até à cidade siberiana de Yakutsk.

Segundo a AFP, a dispersão dos protestos por todo o território mostra o apoio ao candidato opositor e à sua campanha contra a corrupção, que conseguiu criar uma extensa rede apesar da repressão do governo e de ser repetidamente ignorado pelos órgãos de comunicação estatal.

Também hoje, o chefe da diplomacia europeia anunciou que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia vão reunir-se na segunda-feira para "ponderar as medidas" para pressionar a Rússia a libertar o líder da oposição.

"Discutiremos os próximos passos com os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia na segunda-feira; a UE apela à libertação do senhor Navalny e esta reunião deve começar a ponderar as medidas a tomar para apoiar esta exigência", escreveu o Alto Representante para a Política Externa europeia, Josep Borrell, numa mensagem no Twitter, na qual criticou as "detenções em massa" na Rússia.

Veja na galeria acima imagens das manifestações.

As autoridades russas já tinham alertado nos últimos dias, através da polícia e do Ministério Público, que tomariam medidas contra os participantes nas manifestações não autorizadas.

Na quinta-feira, as autoridades russas iniciaram uma campanha de assédio contra ativistas e principais colaboradores de Navalny para tentar impedir os protestos de hoje com a prisão de vários deles, como a sua porta-voz, Kira Yarmish, que irá cumprir nove dias de prisão.

Cartazes com frases "Liberdade" e gritos como "Putin, ladrão!" ou "Nós somos o poder!" foram ouvidas hoje em todo o país nas manifestações a favor do líder da oposição.

Alexei Navalny foi detido ao voltar à Rússia no dia 17 de janeiro - depois de cinco meses de convalescença na Alemanha devido a um envenenamento - acusado de violar as medidas de controlo judicial, por sair do país quando estava em liberdade condicional relacionada com outro processo na justiça russa.

Navalny vai permanecer em prisão preventiva até, pelo menos, 15 de fevereiro. Vários instituições e países já apelaram à libertação imediata do opositor russo.

Leia Também: Número de detidos em manifestações na Rússia sobe para 863

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