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Mais de 80 pessoas intercetadas no Mediterrâneo e reenviadas para a Líbia

A guarda costeira líbia intercetou hoje no Mediterrâneo mais de 80 migrantes que tentavam alcançar as costas europeias e reenviou-os para solo líbio, que não é considerado um porto seguro, divulgou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Mais de 80 pessoas intercetadas no Mediterrâneo e reenviadas para a Líbia

Segundo a agência integrada no sistema da ONU, estas pessoas serão provavelmente reencaminhadas para centros de detenção migratórios (maioritariamente geridos por milícias locais), cujas condições classificadas como desumanas têm sido frequentemente denunciadas por diversas organizações internacionais e organizações não-governamentais (ONG).

"Até agora, este ano, cerca de 300 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram devolvidas ao país e acabaram detidas", denunciou a OIM.

"Reiteramos que ninguém deve ser devolvido para a Líbia", reforçou a organização liderada pelo português António Vitorino.

Na sua página na rede social Twitter, a OIM publicou imagens nas quais é possível ver funcionários da organização a falarem com migrantes, a grande maioria africanos, num cais líbio.

Esta é a segunda intercetação de migrantes pelas forças marítimas da Líbia em poucos dias.

Na quinta-feira, a OIM anunciou que a Marinha líbia tinha reenviado para aquele país outros 86 migrantes, incluindo sete mulheres e 19 crianças, que tinham sido intercetados no mar Mediterrâneo.

Devido à situação do país, imerso num caos político e securitário desde a queda do regime de Muhammar Kadhafi em 2011, a Líbia não é considerada um porto seguro.

A Líbia tornou-se nos últimos anos uma placa giratória para centenas de milhares de migrantes, sobretudo africanos e árabes que tentam fugir de conflitos, violência e da pobreza, que procuram alcançar a Europa através do mar Mediterrâneo.

As denúncias sobre as condições desumanas e as violações dos direitos das pessoas mantidas em centros de detenção de migrantes na Líbia também são frequentes.

O país, que possui as reservas de petróleo mais importantes no continente africano, faz parte da chamada rota do Mediterrâneo Central, encarada como uma das mais mortais, que sai da Argélia, Tunísia e Líbia em direção à Itália e a Malta.

Esta semana, a OIM e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) divulgaram que pelo menos 43 pessoas tinham morrido num naufrágio ocorrido na terça-feira ao largo das costas líbias.

Tratou-se do primeiro desastre marítimo de 2021 envolvendo migrantes que tentam alcançar as costas europeias.

De acordo com a OIM, que citou sobreviventes do naufrágio, as vítimas mortais eram todas migrantes do sexo masculino oriundos de países da África Ocidental.

Ao longo dos últimos anos, a União Europeia (UE) apoiou a guarda costeira líbia e outras forças locais para tentar conter a saída de migrantes em direção à Europa.

Várias ONG de defesa dos direitos humanos sempre denunciaram que tais esforços tinham deixado os migrantes à mercê de grupos armados locais ou retidos em centros de detenção sobrelotados e com condições de vida muito precárias.

Leia Também: Desporto, uma das "principais ferramentas" de inclusão dos imigrantes

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