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ONU preocupada com "graves acusações" de violações sexuais em Tigray

As Nações Unidas declararam na noite de quinta-feira que receberam relatos "perturbantes" de violência sexual e de abuso na região de Tigray, no norte da Etiópia, onde uma operação militar foi lançada pelo Governo em novembro último.

ONU preocupada com "graves acusações" de violações sexuais em Tigray
Notícias ao Minuto

11:21 - 22/01/21 por Lusa

Mundo Etiópia

Os relatos incluem testemunhos de pessoas que foram forçadas a violar membros da família e mulheres que foram forçadas a ter relações sexuais para obterem "bens de primeira necessidade".

"Estou muito preocupada com as alegações graves de violência sexual na região de Tigray na Etiópia, nomeadamente com um grande número de presumíveis violações", na zona de Mekele, a capital regional, declarou a Representante Especial do Secretário Geral da ONU para a Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten.

"Apelo a todos os atores envolvidos nas hostilidades em Tigray para que adotem uma política de tolerância zero em relação aos crimes de violência sexual", afirmou.

O Governo etíope, liderado pelo Prémio Nobel da Paz de 2019, Abiy Ahmed, lançou no passado dia 04 de novembro uma ofensiva militar contra as autoridades dissidentes em Tigray, da Frente de Libertação Popular de Tigray (TPLF), com as quais as tensões vinham a aumentar há largos meses.

Abiy Ahmed declarou a vitória em 28 de novembro, após a tomada militar da capital regional, Mekele.

A maior parte da liderança da TPLF encontra-se desde então em fuga naquela região montanhosa e promete continuar a lutar.

A organização International Crisis Group (ICG) comunicou a ocorrência de "vários milhares de mortes em combate", mas não há números precisos disponíveis e o Governo de Adis Abeba mantém fortes restrições no acesso à região.

Patten salientou na sua declaração que "os centros médicos enfrentam um aumento na procura de contracetivos de emergência e de testes para doenças sexualmente transmissíveis, que são frequentemente indicadores de violência sexual em situações de conflito".

A responsável apelou ao pleno acesso humanitário à região de Tigray, incluindo aos campos de deslocadas e "campos de refugiados, onde os recém-chegados parecem ter denunciado casos de violência sexual".

O apelo diz respeito, em particular, a "mais de 5.000 refugiados eritreus no Shire (localidade onde estão localizados há anos campos de refugiados do país vizinho) e arredores, pessoas que vivem em condições extremas, muitos dormindo, de acordo com algumas fontes, ao relento, sem água ou comida".

Patten referiu-se ainda às condições de vida dos mais de 59.000 etíopes que se refugiaram no vizinho Sudão.

A administração provisória em Tigray não esteve imediatamente disponível para comentários.

No início de janeiro, a estação de televisão estatal etíope transmitiu um vídeo de uma reunião em que um homem não identificado, com uniforme militar, se manifestava preocupado com as violações sexuais em Mekele, não obstante a forte presença "tanto da polícia federal, como local".

Leia Também: Jornalista que trabalhava para a Tigray TV foi morto a tiro

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