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Moçambique: Violência pode dificultar futuros investimentos no gás

A consultora Fitch Solutions considerou hoje que os ataques no norte de Moçambique estão a prejudicar as oportunidades do país para a exploração do gás natural e alertou que a violência pode dificultar futuros investimentos.

Moçambique: Violência pode dificultar futuros investimentos no gás

"Os ataques dos insurgentes continuam a ameaçar as oportunidades no Gás Natural Liquefeito (LNG), já que o mais recente ataque ocorreu a cinco quilómetros do projeto da Total na Área 1; os crescentes ataques dos militantes ligados ao Estado Islâmico aumentam o risco de atrasos na construção e podem dificultar futuros investimentos", referem os analistas num comentário aos ataques no país.

Na nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, esta consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings escrevem que "a atividade sustentada dos insurgentes em 2021 implica um risco significativo quer à finalização do projeto de construção da fábrica da Total, quer ao desenvolvimento do terminal de LNG da Exxonmobil e da Eni, na Área 4, na bacia do Rovuma, que aguarda ainda uma decisão final de investimento".

Atualmente, acrescentam, "os desenvolvimentos no setor antecipam um aumento da produção para 45 mil milhões de metros cúbicos até 2029, o que significa que o país vai ser um exportador significativo de gás natural".

No entanto, alertam, "a situação de segurança no norte de Moçambique tem continuado a deteriorar-se e a insurgência está a aproximar-se do local de construção das instalações, o que, em conjunto com as perturbações à cadeia de distribuição que fez parar a construção no primeiro semestre devido à covid-19, aumenta a pressão sobre o objetivo de atingir a capacidade prevista para 2024".

Em janeiro, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral vai reunir-se para debater a situação de segurança na região, e os analistas da Fitch Solutions afirmam que "uma resposta regional abrangente de apoio a Moçambique vai aumentar as capacidades de defesa, que já estão a ser apoiadas por elementos do setor privado", acrescentando, ainda assim, que "até agora Moçambique recebeu muito pouco apoio em termos de segurança dos seus pares regionais, o que deixa os projetos e as instalações em grande risco de serem atacados por terroristas".

O segundo ataque próximo aos megaprojetos de gás em dezembro ocorreu na terça-feira, após um primeiro que ocorreu no dia 07 de dezembro na aldeia de Mute, a menos de 25 quilómetros da área onde está a ser construída a zona industrial de processamento de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma.

O projeto, liderado pela Total, é o maior investimento privado em África, da ordem dos 20 mil milhões de euros.

Os novos ataques de terça-feira ocorreram um dia depois de o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, pedir às Forças de Defesa e Segurança "máxima prontidão" face ao "silêncio do inimigo", após operações com "bons resultados" por parte das forças governamentais em Macomia, outro distrito de Cabo Delgado que tem sido afetado com frequência pelas incursões dos rebeldes.

Das operações em Macomia, segundo dados oficiais, pelo menos 37 insurgentes foram abatidos e 27 armas foram apreendidas, em operações levadas a cabo pelo 7.º batalhão das Forças de Defesa e Segurança posicionado na região.

A violência armada em Cabo Delgado começou há três anos e está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico desde 2019.

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