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Espanha torna-se no sexto país do mundo a legalizar a eutanásia

Congresso dos Deputados aprovou esta quinta-feira o projeto de lei, que ainda passará no Senado. A Espanha converte-se, assim, no sexto país do mundo a reconhecer o direito a uma morte digna.

Espanha torna-se no sexto país do mundo a legalizar a eutanásia

A Espanha aprovou esta quinta-feira o primeiro projeto de lei que regulará o exercício do direito à eutanásia no país, depois da votação histórica no Congresso dos Deputados ter resultado em 198 votos a favor e 138 contra, com duas abstenções, numa assembleia que tem um total de 350 parlamentares.

O projeto de lei foi proposto pelo PSOE e, além da maioria governamental, teve os votos a favor do Cidadãos, Juntos pela Catalunha e CUP. Só a direita - PP, Vox (extrema-direita) e União do Povo Navarro (regionalista) - votou contra, indica o El País.

A lei requer apenas a luz verde do Senado para que possa entrar em vigor,três meses depois da sua publicação no Boletim Oficial do Estado espanhol (correspondente ao Diário da República português).

Espanha torna-se, assim, no sexto país do mundo a reconhecer o direito a uma morte digna, depois da Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Canadá e Nova Zelândia.

"Como sociedade, não podemos permanecer impassíveis perante o sofrimento intolerável que muitas pessoas sofrem; a Espanha é uma sociedade democrática suficientemente madura para enfrentar esta questão", salientou o Ministro da Saúde, Salvador Illa, acrescentando que a nova normativa impõe "senso comum e humanidade".

Em nome do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que apresentou a proposta inicial, a ex-ministra da Saúde María Luisa Carcedo defendeu uma norma que significa avanços nos direitos cívicos; que toma em consideração a "condição humana", que é vida, mas também doença, sofrimento e morte; e que fala de "humanidade, empatia e compaixão".

A deputada quis deixar claro que o Estado "não impõe nem obriga", uma vez que a eutanásia continua a ser uma decisão autónoma do paciente, e recordou que, no passado, os partidos de direita também mantiveram "batalhas apocalípticas" sobre outros direitos, que, "passado um tempo, são assumidos e, passado um tempo, são praticados".

Contudo, para o representante do Partido Popular, o deputado José Ignacio Echániz, esta lei é "uma derrota para todos, um fracasso do sistema de saúde e da sociedade", porque a resposta ao sofrimento dos vulneráveis deveria ser "nunca abandonar aqueles que sofrem, nunca desistir e dar cuidados, companhia, conforto, amor e esperança".

De acordo com o texto do projeto, os adultos que sofram de uma doença grave e incurável ou de uma condição grave, crónica e impossível, que cause "sofrimento físico ou psicológico intolerável" sem possibilidade de cura ou melhoria, podem solicitar ajuda médica para morrer, prestação que será incluída no Sistema Nacional de Saúde espanhol.

O paciente deve confirmar a sua vontade de morrer em pelo menos quatro ocasiões ao longo do processo, o que pode demorar pouco mais de um mês a partir do momento em que o solicita pela primeira vez, e em qualquer momento pode retirar ou adiar a eutanásia.

A lei também prevê o direito dos médicos à objeção de consciência e estabelece a criação de uma Comissão de Garantia e Avaliação em cada comunidade autónoma espanhola composta por médicos e juristas para acompanhar cada caso.

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