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ONG denuncia tortura e desaparecimentos de refugiados na Tanzânia

Os serviços de segurança tanzanianos prenderam arbitrariamente, torturaram ou fizeram desaparecer à força de campos na Tanzânia durante o ano passado cerca de 20 refugiados do Burundi, denunciou hoje a organização não-governamental (ONG) Human Right Watch no Quénia.

ONG denuncia tortura e desaparecimentos de refugiados na Tanzânia

A polícia tanzaniana "prendeu e fez desaparecer à força sete (...) refugiados e requerentes de asilo desde janeiro de 2020", cujo "destino ainda é desconhecido", denunciou a ONG num relatório hoje publicado.

Além disso, "entre outubro de 2019 e agosto de 2020, a polícia e os serviços secretos tanzanianos (...) torturaram e detiveram arbitrariamente pelo menos 11 nacionais do Burundi durante várias semanas em condições deploráveis numa esquadra de polícia em Kibondo, na região de Kigoma" no noroeste da Tanzânia, perto da fronteira com aquele país, acrescentou a Human Right Watch (HRW).

"Três dos detidos foram libertados na Tanzânia e as autoridades tanzanianas reconduziram em agosto à força os outros oito ao Burundi, onde estão detidos sem culpa formada", avançou a organização dos direitos humanos, denunciando um possível "conluio entre oficiais dos dois países".

De acordo com testemunhos recolhidos pela HRW, pelo menos nove burundianos afirmaram ter sido torturados na esquadra de polícia de Kibondo.

"A polícia e os agentes dos serviços secretos submeteram-nos a choques elétricos, esfregaram-lhes os rostos e genitais com malagueta, e bateram-lhes e chicotearam-nos", relataram testemunhas não identificadas.

Os que foram libertados regressaram aos campos de refugiados, informou a ONG, indicando que as detenções tiveram lugar nos campos de refugiados de Mtendeli e Nduta, na região de Kigoma,

"O desaparecimento forçado de refugiados e requerentes de asilo burundianos na Tanzânia pelas autoridades tanzanianas é um crime hediondo, sobretudo devido à angústia e sofrimento causados aos familiares, muitos dos quais fugiram de abusos semelhantes no Burundi", disse Mausi Segun, diretor da divisão de África da HRW, no Quénia.

No final de outubro, mais de 150.000 refugiados burundianos ainda se encontravam em três campos na Tanzânia, e quase 100.000 regressaram ao Burundi desde setembro de 2017.

Mais de 400.000 burundianos fugiram para os países vizinhos no auge da crise criada pela decisão de Pierre Nkruunziza em 2015 de concorrer a um terceiro mandato presidencial. Nkruunziza liderou o Burundi entre agosto de 2005 e 08 de junho de 2020, data em que morreu de ataque cardíaco.

"O medo da violência, prisão e deportação levou muitos refugiados e requerentes de asilo burundianos na Tanzânia a abandonar o país", disse HRW num relatório de 2019.

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