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Papa pede fim de violência e preservação de vidas no conflito em Tigray

O papa Francisco apelou hoje às partes em conflito na Etiópia para colocarem um fim à violência e preservarem vidas, em particular as dos civis, na região de Tigray.

Papa pede fim de violência e preservação de vidas no conflito em Tigray
Notícias ao Minuto

20:18 - 27/11/20 por Lusa

Mundo Etiópia

"O santo padre está a seguir relatos da Etiópia, onde há várias semanas um conflito militar está em curso", afirmou o diretor do gabinete de imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, num comunicado.

"Os confrontos, que se intensificaram ao longo dos dias, já conduziram a uma grava situação humanitária. O santo padre (...) apela às partes em conflito para que cessem a violência e salvem vidas, especialmente as de civis, para que a população possa regressar à paz", acrescentou o porta-voz.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou em 04 de novembro uma operação militar na região de Tigray (norte do país), após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Desde então, a região tem sido palco de ofensivas militares por ambas as partes, com o disparo de foguetes e de incursões para a captura de cidades.

Durante o dia de hoje, após uma reunião com os enviados especiais da União Africana à capital etíope, Abiy Ahmed reafirmou que é seu dever "manter a ordem na Etiópia".

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de 43.000 refugiados abandonaram a região em direção ao Sudão e quase 100.000 refugiados eritreus em campos no norte de Tigray ficaram expostos às linhas de fogo.

Organismos independentes relataram o massacre de pelo menos 600 civis.

A comunidade internacional, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Europeia, tem manifestado grande preocupação com o conflito e o seu impacto humanitário, enquanto insiste nos apelos ao diálogo.

Abiy Ahmed, prémio Nobel da Paz em 2019, tem rejeitado o que apelida de "quaisquer atos de ingerência indesejados e ilegais", afirmando que o seu país irá lidar com o conflito sozinho.

O Sudão é um dos países mais pobres do mundo e conta com mais de um milhão de refugiados no seu território.

A crise em Tigray ocorre num momento em que o Sudão atravessa uma difícil transição, desde a destituição, em abril de 2019, do antigo Presidente sudanês Omar al-Bashir.

Atualmente liderado por um Governo de transição, as autoridades sudanesas procuram reconstruir a economia do país, prejudicada por décadas de sanções pelos Estados Unidos da América, que isolaram o Sudão da comunidade internacional e vedaram o acesso a apoios financeiros de instituições internacionais, má gestão pública e conflitos armados sob a liderança de Al-Bashir.

Além destes fatores, o Sudão enfrentou, este ano, severas inundações em grande parte do país e, como o resto do mundo, a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2.

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