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Brasil tem "parceria estratégica" com China após tensões diplomáticas

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, disse hoje que o país mantém uma parceria estratégica com a China, que será fundamental no mundo "pós-pandémico", ignorando as tensões diplomáticas geradas por um filho do Presidente brasileiro com o país asiático.

Brasil tem "parceria estratégica" com China após tensões diplomáticas
Notícias ao Minuto

19:59 - 26/11/20 por Lusa

Mundo Hamilton Mourão

Mourão afirmou que o Governo brasileiro "precisa atuar junto ao Governo chinês de forma objetiva", já que o gigante asiático é seu maior parceiro comercial "há uma década" e um dos "poucos países" com "capacidade e recursos tecnológicos e financeiros" para o período que se seguirá ao fim da pandemia do novo coronavírus.

O governante brasileiro participou na abertura de um seminário organizado pela Câmara Empresarial Brasil-China e apreciou "a clareza" com que aquele país asiático "identifica a nova dinâmica da economia global, com crescimento e sustentabilidade", duas variantes que representam "oportunidades para expandir o comércio".

Segundo o vice-presidente, os dois países devem "olhar para o futuro, encontrar formas de diversificar as relações existentes e criar novas oportunidades para outros setores da economia e da sociedade".

O discurso de Mourão foi recebido com alívio por muitos empresários que têm a intenção de virar a página sobre um mal-estar recente gerado junto do Governo chinês pelo deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Na segunda-feira, Eduardo Bolsonaro divulgou nas suas redes sociais uma mensagem festejando a adesão do Brasil à iniciativa Rede Limpa, lançada pelos Estados Unidos da América para criar uma aliança global "por um 5G seguro, sem espionagem da China".

O deputado acrescentou ainda um comentário sobre o "comportamento perigoso" da empresa chinesa Huawei, que pretende participar da licitação das faixas de 5G que o Brasil vai realizar no próximo ano, acusação que foi imediatamente respondida pela embaixada da China no Brasil.

Também por meio das redes sociais, a embaixada da China afirmou que o deputado Eduardo Bolsonaro e outras "personalidades" do Brasil "produziram uma série de declarações infames que desrespeitam a cooperação sino-brasileira, o benefício mútuo que ela promove" e quebram uma "atmosfera amigável".

O Governo chinês acrescentou que essas posições seguem a "retórica da extrema direita norte-americana" e que os responsáveis "vão arcar com as consequências negativas e a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da aliança China-Brasil".

A embaixada da China, por sua vez, recebeu resposta do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), que criticou o uso das redes sociais "para tratar de assuntos de interesse comum" e alertou que essa não é uma prática "construtiva".

O Itamaraty considerou que a situação cria "atritos desnecessários" que "só atendem aos interesses daqueles que, por acaso, não desejam promover boas relações entre Brasil e China" e também que a embaixada asiática usou um tom "ofensivo e desrespeitoso".

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