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Igreja Católica responsabiliza governo e oposição pela crise na Venezuela

A Igreja Católica da Venezuela responsabilizou hoje o governo venezuelano e a oposição, liderada pelo presidente do parlamento, Juan Guaidó, pela crise no país e a frustração dos venezuelanos quanto às eleições legislativas de 6 de dezembro.

Igreja Católica responsabiliza governo e oposição pela crise na Venezuela

"O problema da Venezuela é que, por um lado, temos uma organização criminosa e, por outro, uma direção política que não é credível", disse monsenhor Víctor Hugo Basabe aos jornalistas.

Segundo o bispo de San Felipe "não há clima para as eleições" convocadas pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro, para dezembro, "nem para consulta popular" convocada pela oposição para 12 de dezembro.

"As pessoas não estão pensando em participar de processos manipulados, mas tão-pouco estão pensando em participar nessa outra proposta. O que as pessoas sentem é uma grande frustração com uma liderança política que parece não ter ideias claras", disse.

Monsenhor Víctor Hugo Basabe afirmou ainda que é preciso andar pelas ruas, ouvir as pessoas e conhecer as situações de angústia de dor de cada cidadão.

"As pessoas só estão procurando sobreviver e sentem-se sozinhas, porque há uma liderança política totalmente desligada da realidade. Os venezuelanos sentem que há disputa pelo poder e não em função de resolver os problemas do povo", argumentou.

Por outro lado, questionou se os candidatos às eleições parlamentares convocadas pelo Governo ou os promotores da consulta popular opositora foram ao mercado nos últimos dias, porque "com a alta do dólar [desvalorização do bolívar, a moeda local], os preços chegaram ao limite e as pessoas não conseguem nem comer".

"Uma bola de pão com dez unidades custa mais de um milhão de bolívares [1,07 euros à taxa oficial de hoje] e a maioria das pessoas depende de um salário mínimo inferior a um milhão de bolívares", frisou.

O bispo explicou que os "fortes protestos" que ocorreram há alguns meses na Venezuela "sem serem convocados por ninguém" e com "repressão terrível" podem "ser um aviso" de que "o futuro do país é uma grande interrogação" e é possível "uma situação muito difícil".

"Não falamos como atores políticos, mas como representantes de um ministério profético que nos leva a denunciar as injustiças que se cometem (...) Temos acompanhado o povo e a Igreja tem alto nível de credibilidade e isso é fruto do acompanhamento. As pessoas estão sofrendo muito. Em Yaracuy [centro do país] vemos que os níveis de desnutrição infantil chegam a 34% e a desnutrição em adultos é terrível", enfatizou Víctor Hugo Basabe.

Segundo uma sondagem recente da empresa de análise de dados Datanálisis, "62% dos venezuelanos não apoiam nem Nicolás Maduro [Presidente da República] nem Juan Guaidó [o líder opositor]".

A 16 de novembro último, a Igreja Católica alertou que se "avizinham tempos mais escuros" para a Venezuela, a partir de 2021, com a imposição de um Estado comunal que consolidará a revolução e intensificará o processo de "islamização" do país.

O alerta foi feito por monsenhor Mário Moronta, bispo de San Cristóbal, num longo documento a que chamou "algumas reflexões sobre o que vem", após as eleições legislativas previstas para 06 de dezembro.

"Gostemos ou não, seja legítima ou não, se imporá uma nova Assembleia Nacional [nas eleições de dezembro]. Em 2021 terá lugar o início do novo Estado 'comunal' [tipo de organização social, política e económica], com o desaparecimento definitivo de tudo o que cheira ao passado", explica.

Segundo o bispo "começará uma nova etapa, a consolidação da revolução" que "eliminará, tudo o que é importante", inclusive "alguns nomes vão ser mudados", entre eles "o de paróquia cuja origem é eclesiástica".

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