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Nova manifestação contra França bloqueia entradas na capital do Paquistão

Cerca de um milhar de islamitas bloqueou hoje uma das principais entradas da capital paquistanesa em protesto contra a França por causa das caricaturas de Maomé, numa manifestação após um dia de confrontos com a polícia.

Nova manifestação contra França bloqueia entradas na capital do Paquistão

Os apoiantes do partido extremista Tehreek-e-Labbaik Paquistão (TLP) ocuparam o cruzamento de Faizabad, que liga as cidades de Islamabad e Rawalpindi, causando um caos na circulação rodoviária na capital do Paquistão.

"A polícia tentou expulsá-los com gás lacrimogéneo, mas eles resistiram", contou o porta-voz da polícia da capital, Iqbal Hussain, à agência de notícias espanhola Efe.

O porta-voz indicou que todas as ruas que conduzem ao enclave diplomático onde estão localizadas as embaixadas, em Islamabad, foram fechadas e que "forças extra" da polícia foram posicionadas em frente à embaixada francesa e, como é hábito das autoridades paquistanesas nestes casos, os serviços de telecomunicações foram interrompidos.

A manifestação foi realizada a pedido do líder do TLP, um religioso radical chamado Khadim Hussain Rizvi, que também esteve na origem das violentas manifestações, em novembro de 2018, contra a absolvição de Asia Bibi, condenada à morte em 2010 por alegados insultos ao profeta Maomé e ao Islão durante uma discussão com colegas de trabalho e que passou nove anos em confinamento solitário até ser absolvida e levada para o Canadá.

O TLP exige agora a expulsão do embaixador francês e o boicote aos produtos franceses.

"Não vamos sair daqui até que as nossas exigências sejam atendidas", disse um porta-voz do TLP, Zubair Ahmed, à Efe, acrescentando que são cerca de 2.000 os manifestantes que estão a bloquear a entrada de Islamabad e indicando que, no domingo, pelo menos 100 dos seus membros foram detidos e 20 ficaram feridos em confrontos com as forças da ordem.

No domingo, um protesto em Rawalpindi atraiu cerca de 5.000 pessoas, de acordo com fotógrafos da agência francesa de notícias AFP.

Nas últimas semanas, vários protestos foram organizados no Paquistão contra a França e o Presidente francês, Emmanuel Mácron, devido à publicação de caricaturas do profeta Maomé.

Em outubro, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, acusou Macron de atacar e ferir os sentimentos de milhões de muçulmanos em todo o mundo ao defender o direito à publicação de caricaturas após a decapitação, por um islamita, de um professor de francês, em 16 de outubro, que tinha mostrado aos seus alunos caricaturas do profeta Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.

Houve também manifestações contra os comentários de Macron em outros países predominantemente muçulmanos, como o Bangladesh.

O Islão, na sua interpretação mais radical, proíbe qualquer representação de Maomé, considerando-a um ultraje e uma blasfémia.

A questão é particularmente inflamada no Paquistão, onde até mesmo alegações não comprovadas de insultos ao Islão podem levar a assassínios e a linchamentos.

Vários grupos de direitos humanos têm pedido a reforma das polémicas leis do país sobre o assunto, que preveem pena de morte - frequentemente usada - para quem insulta o profeta, mas que servem frequentemente, segundo os seus críticos, para acertar contas pessoais.

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