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HRW denuncia impacto das armas incendiárias em civis na última década

A Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje o uso de armas incendiárias (proibidas pela lei internacional) e o sofrimento "terrível" que têm infligido a vítimas civis em vários conflitos na última década, pedindo uma ação internacional perante tal situação.

HRW denuncia impacto das armas incendiárias em civis na última década
Notícias ao Minuto

16:47 - 09/11/20 por Lusa

Mundo Conflito

Num relatório hoje divulgado, a organização não-governamental (ONG), em parceria com a Human Rights Clinic (programa da Faculdade de Direito de Harvard), documenta a utilização de armas incendiárias em várias zonas de conflito ao longo dos últimos cerca de 10 anos, nomeadamente no Afeganistão, Faixa de Gaza e na Síria, bem como os "terríveis custos humanos" que sofrem as vítimas civis atingidas por este tipo de armas.

Este tipo de armamento está proibido pela Convenção das Nações Unidas sobre Armas Convencionais.

No relatório, a HRW apelou à comunidade internacional para colmatar as lacunas existentes na atual lei internacional e para condenar a utilização deste tipo de armas.

Entende-se por arma incendiária qualquer arma ou munição que foi essencialmente concebida para incendiar objetos ou para causar queimaduras a pessoas através de chamas, de calor ou de uma combinação de chamas e calor, desencadeada, por uma reação química de uma substância lançada ao alvo.

Segundo o relatório da HRW, estas armas, que podem incluir fósforo branco (substância química proibida), provocam queimaduras que causam dores "excruciantes" e que podem desencadear infeções, choque sético e falência de órgãos.

Frequentemente, os médicos presentes em zonas de guerra não têm os recursos adequados para ajudar as vítimas com este tipo de queimaduras, de acordo com a ONG, que pormenorizou que o fósforo branco pode queimar até os ossos, provocando dores crónicas e deixando as vítimas com deficiências permanentes e cicatrizes.

Entre os casos documentados no relatório consta o caso de uma menina afegã de oito anos, identificada como Razia, que sofreu queimaduras em 45% do corpo durante um ataque com fósforo branco nos arredores de Cabul em 2009.

Após longos e penosos cuidados médicos, a menina (agora uma jovem mulher) conseguiu sobreviver, mas, 11 anos após o ataque, o pai de Razia relata que a filha tem vergonha de ser vista em público e prefere não sair de casa.

A par da dor física que ainda sente e das cicatrizes que tem em quase metade do corpo, Razia também não ultrapassou a dor emocional provocada pela morte das duas irmãs no ataque em 2009.

As forças dos Estados Unidos da América (EUA) e da NATO usaram fósforo branco para iluminar alvos no Afeganistão.

Na altura, fontes militares indicaram que não conseguiam confirmar se o ataque que atingiu a casa de Razia estaria relacionado com tal utilização.

Mais recentemente, segundo a HRW, as forças governamentais sírias atacaram com armas incendiárias um prédio que ficava perto de uma escola na província de Alepo, no norte da Síria.

Na altura, em 2013, quando os alunos da localidade síria de Urum al-Kubra correram para o exterior para ver o que estava a acontecer, uma bomba incendiária caiu junto deles, provocando imediatamente cinco vítimas mortais, de acordo com a HRW, que também apontou no relatório que as forças israelitas lançaram projéteis de artilharia com fósforo branco na Faixa de Gaza em 2009 durante o conflito com o movimento islâmico Hamas.

O relatório da ONG concluiu que o "contínuo sofrimento humano" causado por armas incendiárias ressalta a necessidade de uma lei internacional mais forte, instando os países a tomarem medidas concretas na conferência agendada para 2021 sobre a Convenção das Nações Unidas sobre Armas Convencionais.

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