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UE apela a diálogo reconciliatório na Costa do Marfim após eleições

A União Europeia expressou hoje a sua "viva preocupação" com as tensões que marcaram as eleições presidenciais na Costa do Marfim, boicotadas pela oposição, e apelou ao diálogo entre todas as partes com vista à "reconciliação".

UE apela a diálogo reconciliatório na Costa do Marfim após eleições

Em comunicado, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, indica que "a UE toma nota do anúncio dos resultados provisórios anunciados pela Comissão Eleitoral Independente", segundo os quais o Presidente Alassane Ouattara recolheu 94,7% dos votos, sendo assim eleito para um terceiro mandato, mas não dirige qualquer mensagem de felicitações, sublinhando antes "a ausência de consenso sobre o quadro eleitoral fraturou o país".

"Muitos costa-marfinenses dirigiram-se às urnas, mas muitos outros não o fizeram, quer por sua escolha, quer por impedimento, quer porque foram impossibilitados devido à violência e bloqueios. A UE regista grandes disparidades na taxa de afluência nas diferentes regiões do país, tal como sublinharam diversas missões de observação eleitoral no terreno", observa Borrell.

O Alto Representante da UE para a Política Externa dá então conta da "viva preocupação" dos 27 relativamente às "tensões, provocações e incitações ao ódio que prevaleceram e continuam a subsistir no país em torno deste escrutínio", realizado no passado sábado.

"A União Europeia espera que todas as partes tomem iniciativas com vista a um desanuviamento do clima e à retoma do diálogo, envolvendo as novas gerações e promovendo a reconciliação através de medidas muito concretas que irão inverter a maré de violência e divisão", escreve Borrell, acrescentando que o bloco europeu "apoiará todos os esforços nesse sentido por parte de atores nacionais e internacionais".

De acordo com os dados da Comissão Eleitoral Independente, Alassane Ouattara, de 78 anos, recebeu 3.031.483 votos de um total de 3.215.909 votos expressos no escrutínio, que levou a protestos e violência, tendo ativistas da oposição saqueado ou impedido a abertura de algumas das mesas de voto.

De acordo com os resultados anunciados pela comissão eleitoral, o candidato independente Kouadio Konan Bertin ficou em segundo lugar, com 1,99% (64.011 votos).

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara tinha anunciado em março que não se candidataria a um terceiro mandato, antes de mudar de ideias em agosto, após a morte do "delfim", designado como candidato presidencial, o então primeiro-ministro Amadou Gon Coulibaly.

A Constituição da Costa do Marfim prevê um máximo de dois mandatos presidenciais, mas o Conselho Constitucional considerou que, com a reforma adotada em 2016, a contagem de mandatos de Ouattara tinha sido recolocada a zero, dando cobertura a uma nova candidatura.

Na segunda-feira, a oposição da Costa do Marfim, que considera um terceiro termo inconstitucional, anunciou um Conselho de Transição, liderado por Bédié, para a formação de um "governo de transição" até novas eleições presidenciais, após um fim de semana marcado pela violência.

No domingo, no dia seguinte às eleições, a oposição tinha apelado uma "transição civil" e à "mobilização geral dos costa-marfinenses para pôr fim à ditadura e à má gestão do Presidente cessante".

Pelo menos nove pessoas morreram durante o fim de semana em numerosos incidentes e confrontos que afetaram principalmente a metade sul do país.

Antes da votação, cerca de 30 pessoas tinham morrido em atos de violência pelo país, levantando receios de uma repetição dos conflitos pós-eleitorais registados há dez anos.

Estima-se que três mil tenham morrido devido à recusa do antigo Presidente Laurent Gbagbo de admitir a derrota face ao sucessor, Alassane Ouattara.

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