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Eleições nos EUA: A luta é o futuro, Louisville é um combate

Em Louisville, no Kentucky, os nomes de Breonna Taylor, abatida a tiro pela polícia em março e de Muhammad Ali, campeão mundial de boxe, estão em todo o lado ultrapassando de longe os nomes dos candidatos das presidenciais de terça-feira.

Eleições nos EUA: A luta é o futuro, Louisville é um combate

"O boxe é tudo aquilo de que precisamos aqui em Louisville. Não pedimos muito do mundo. Não nos importamos com a roupa que vestimos ou outras coisas materiais. Isto aqui é uma irmandade e nós adoramos o boxe", diz à Lusa C. Shoat, afro-americano, dono do ginásio "Champ Box" em Main Street, na desolada zona baixa da cidade do Estado de Kentucky.

Enquanto que Breonna Taylor, vítima da violência da polícia, se transformou num símbolo da luta pelos direitos cívicos e contra o racismo numa cidade marcada por fortes contrastes sociais, Muhammad Ali é a estrela "do povo" que lutou no ringue e que nunca desistiu de combater "o racismo, a injustiça social e os pobres" tendo-se recusado a combater na Guerra do Vietname.

Cassius Marcellus Clay (1942-2011) nasceu na zona mais desfavorecida da cidade, junto ao rio Ohio, mudou de nome para Muhammad Ali depois de vencer os Jogos Olímpicos de Roma em 1960 e dos contactos que manteve com a Nação do Islão e com o líder afro-americano Malcolm X.

"Aqui somos todos filhos de escravos e somos educados a não confiar nos brancos. A sociedade é dividida porque nos tratam mal e Muhammad Ali é uma inspiração para combater a violência e a injustiça, como aconteceu com Breonna Taylor", diz um outro atleta afro-americano que acaba o treino de rotina ao fim do dia em que participa uma pugilista branca. 

"Eu sou o dono do ginásio e não há dinheiro no mundo que pague saber que estamos a dar oportunidades a estes miúdos, negros e brancos", diz o proprietário do "Champ Box", situado a três quarteirões do Centro Muhammad Ali.

"O boxe é um combate com regras e é o desporto mais correto que existe. É preciso praticar muito. Eu pratico quatro horas por dia há 14 anos e aqui dentro não há raças nem cores. Temos tudo (brancos e negros) e dentro do ringue não há cor de pele, só o combate", diz Shoate que em 2017 venceu os campeonatos regionais que integram os Estados de Indiana, West Virgínia, Ohio e Kentucky.

No influente universo do boxe da zona baixa da cidade a política está presente e apesar dos treinos -- onde não há tempo para conversas entre combates - muitos pugilistas afirmam estar empenhados na campanha pelo Partido Democrata e na "luta contra o mais antigo senador dos Estados Unidos Mitch McConell", líder do Partido Republicano no Estado do Kentucky.

Muhammad Ali entre as inúmeras citações pelo qual também ficou conhecido dizia que um pugilista tinha de "dançar como uma borboleta e morder como uma abelha"

"Entre a borboleta ou a abelha eu fico com a borboleta porque gosto de voar mas ser abelha também é importante", diz C. Shoate, acrescentando que a tática se pode aplicar a todos os "combates" da vida e da política "dependendo do lutador".         

No Estado do Kentucky, Donald Trump tem uma vantagem de quase 30% em relação a Joe Biden, mas se a luta fosse de cartazes as ideias de Muhammad Ali e a revolta por Breonna Taylor venceriam qualquer eleição, mas na terça-feira o combate é outro.

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