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John Magufuli enfrenta teste decisivo nas presidenciais na Tanzânia

A Tanzânia vai às urnas esta quarta-feira para uma eleição que se assume como um teste decisivo ao Presidente John Magufuli, apelidado de "Bulldozer", e cujo primeiro mandato foi marcado pela repressão da oposição e das liberdades.

John Magufuli enfrenta teste decisivo nas presidenciais na Tanzânia
Notícias ao Minuto

09:56 - 27/10/20 por Lusa

Mundo Tamzânia

Os eleitores na Tanzânia continental e no arquipélago semiautónomo de Zanzibar preparam-se para eleger o chefe de Estado tanzaniano e os deputados ao Parlamento em Dodoma, após uma intensa campanha eleitoral, marcada por comícios massivos, tanto no campo presidencial quanto no da oposição.

Entre os 15 candidatos, o principal opositor a Magufuli, 60 anos, e ao histórico partido no poder, o Chama Cha Mapinduzi, é Tundu Lissu, 52 anos, líder do Chadema, o maior partido da oposição, que regressou ao país em Julho, após três anos no exílio, e restabelecido de 16 ferimentos de bala recebidos em 2017, no que denunciou como uma tentativa de assassinato por motivos políticos.

O regresso de Lissu deu novo ânimo a uma oposição acossada por múltiplas detenções, ataques, e mesmo proibição de reuniões fora dos períodos eleitorais, no que tem sido considerado como uma política de esmagamento da democracia por várias organizações de direitos humanos.

Zitto Kabwe, líder de um dos maiores partidos da oposição, o ACT-Wazalendo, desistiu este mês da corrida à Presidência da Tanzânia continental a favor de Lissu, que considerou ter "a melhor hipótese de vencer Magufuli".

Em contrapartida, o Chadema apoiou a candidatura de Seif Sharif Hamad, um candidato da oposição local pertencente ao ACT-Wazalendo à presidência do arquipélago autónomo de Zanzibar.

Embora as tensões eleitorais sejam recorrentes em Zanzibar, a campanha decorreu este ano de forma pacífica, tendo o apelo aos votos dos 566 mil eleitores terminado no passado domingo com os últimos comícios dos maiores partidos.

No continente, estão registados mais de 29 milhões de eleitores, que poderão depositar nas urnas os respetivos votos entre as 07:00 e as 16:00 locais (04:00 e 13:00 TMG) desta quarta-feira, dia 28.

A divulgação de sondagens foi proibida e é virtualmente impossível distinguir o favorito do escrutínio, mas várias vozes estão já preocupadas com a eventual ocorrência de incidentes que possam colocar em causa a votação.

"Para minha consternação, vi e ouvi relatos de que funcionários do governo e forças de segurança estão a perturbar e a dificultar as ações de campanha livre dos candidatos", escreveu o embaixador dos Estados Unidos no país, Donald Wright, numa declaração divulgada na semana passada.

Segundo o diplomata, "a frequência e gravidade de tais perturbações" aumentaram, à medida que as eleições se foram aproximando.

A Tanzânia é vista desde há muitos anos como um refúgio de estabilidade numa região conturbada da África Oriental, mas a eleição de John Magufuli, em 2015, trouxe uma nova realidade de deriva do país para mais uma autocracia em África.

O Presidente tanzaniano tomou, no início do seu mandato, várias decisões populares entre os seus cidadãos, por exemplo, quando entrou porta-dentro dos gabinetes dos funcionários públicos para verificar o trabalho destes e depois suspender dezenas deles por alegados desvios de fundos, ou ainda ao reduzir drasticamente as viagens oficiais, ou ao desviar os montantes destinados aos festejos da independência para ações de limpeza de ruas.

Mais tarde Magufuli, proibiu os comícios políticos, a par de outras manifestações; foram aprovadas leis contra os meios de comunicação social e foram detidos jornalistas, ativistas e membros da oposição - alguns dos quais foram mortos -, decisões que foram revelando uma cada vez menor tolerância do chefe de Estado para com os seus opositores.

Ao longo desta campanha eleitoral, a oposição enfrentou vários obstáculos, o último dos quais terá sido a dificultação da acreditação de milhares de observadores eleitorais, que os adversários de Magufuli consideram como garante indispensável a uma votação justa.

"Sem eles [observadores], a fraude pode ocorrer facilmente", alertou Zitto Kabwe, em declarações à Associated Press. O líder da ACT Wazalendo advertiu ainda que o seu partido não permitirá que as mesas de voto funcionem sem os observadores, e que a questão "é, por isso, explosiva", podendo levar à violência.

Durante a campanha, Magufuli chamou a atenção dos eleitores para a extensão da escolaridade gratuita durante o seu mandato, assim como para projetos de eletrificação e de infraestruturas rurais, ou ainda para a ressurreição da companhia aérea nacional.

"Se eu ganhar, surpreender-vos-ei com ainda mais projetos de desenvolvimento. O que tenho feito nos últimos cinco anos não passa de amendoins", prometeu o chefe de Estado num comício com forte participação, o que remete para a forma como a pandemia do Covid-19 tem vindo abordada na Tanzânia.

A campanha eleitoral foi realizada sem qualquer consideração pelo coronavírus, até porque Magufuli declarou o seu país "livre de Covid" em Julho último, graças às orações do povo tanzaniano, depois do país ter deixado em abril de fornecer dados sobre a evolução dos contágios.

O mandato de Magufuli ficou igualmente marcado pela aprovação de leis que permitiram o aumento das receitas mineiras e pela exigência de milhões de dólares em impostos retroativos às empresas que operam no país.

A economia cresceu, no período prévio ao aparecimento do Covid-19, a um ritmo impressionante de 6% ao ano, mas a criação de emprego foi "baixa" e a cobrança de impostos agressiva acabou por afetar o sector privado, arrefecendo as intenções de investimento, segundo Thabit Jacob, um analista político tanzaniano baseado na Dinamarca, em declarações à AFP.

O FMI prevê uma queda no crescimento do produto interno bruto (PIB) para 1,9% este ano.

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