Meteorologia

  • 01 DEZEMBRO 2020
Tempo
15º
MIN 11º MÁX 18º

Edição

Advogado denuncia "tortura" entre detidos em manifestação em Luanda

Um advogado que representa os manifestantes que saíram às ruas de Luanda no sábado, hoje presentes a julgamento, afirmou que mais de cem pessoas estão detidas sem acusação e que alguns apresentavam sinais de agressões, num "cenário que demonstra tortura".

Advogado denuncia "tortura" entre detidos em manifestação em Luanda

"Houve sinais de agressões, muitos deles estão com as camisolas, os vestidos, ensanguentados, é um cenário que demonstra tortura, condenável a todos os títulos", disse Laurindo Fonseca, do colativo de advogados que está a ser apoiado pela Associação Mãos Livres, à porta do Tribunal Provincial de Luanda (Palácio Dona Ana Joaquina).

O advogado disse que já houve um contacto prévio com os manifestantes para "apurar o que realmente terá acontecido ou em que condições foram detidos", estimando que haja mais de cem pessoas presas desde sábado, embora "as autoridades se neguem a dar um número exato".

Entre estes estarão três menores de idade.

Parte dos detidos encontram-se na 3ª secção, mas ainda não há informações sobre a hora a que irá ter início o julgamento.

"Não temos quaisquer informações, o julgamento ainda não começou, estamos à espera que o tribunal se pronuncie", afirmou Laurindo Fonseca, indicando que os advogados desconhecem os crimes de que os detidos são acusados.

"Não nos prestaram informações e estamos aqui sem conhecer o crime que terão cometido os manifestantes", referiu.

No sábado, uma manifestação convocada por jovens ativistas e apoiada pela UNITA foi violentamente reprimida pela polícia, com recurso a gás lacrimogéneo e um forte dispositivo policial, havendo vários relatos de detenções e agressões a jornalistas, que foram também obrigados a apagar imagens das suas câmaras.

Questionado sobre se os três jornalistas ainda detidos se encontram no tribunal, Laurindo Fonseca respondeu que não se encontram presentes e estariam a ser interrogados pelo Ministério Público no Serviço de Investigação Criminal provincial.

A chegada dos detidos ao tribunal, transportados em carros prisionais, foi saudada por algumas dezenas de jovens que se encontram à porta do edifício, na baixa de Luanda, com gritos de "Liberdade, já".

A governadora de Luanda, Joana Lina, considerou a manifestação como um "ato de vandalismo" alegando que a marcha não poderia realizar-se devido às medidas de prevenção para fazer face à covid-19.

Na sexta-feira ao final da tarde, o governo atualizou a situação de calamidade pública com medidas mais restritivas, incluindo a proibição de ajuntamentos com mais de cinco pessoas na via pública.

O decreto presidencial em vigor deveria prolongar-se até 08 de novembro, mas o governo decidiu adotar as novas regras, que entraram em vigor cerca de cinco horas depois de anunciadas, face ao aumento exponencial do número de infeções nos últimos dias.

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo quarto ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório