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Parlamento espanhol rejeita moção de censura da extrema-direita

Uma esmagadora maioria de membros do parlamento espanhol votou hoje "não" à moção de censura ao Governo de esquerda apresentada pelo partido de extrema-direita Vox que foi o único a votar "sim" à iniciativa.

Parlamento espanhol rejeita moção de censura da extrema-direita
Notícias ao Minuto

13:25 - 22/10/20 por Lusa

Mundo Espanha

O resultado já era esperado e a grande expectativa era o sentido de voto (abstenção ou "não") do Partido Popular (PP, direita), o segundo maior partido espanhol, que acabou por votar contra o projeto ao lado dos partidos que apoiam o executivo minoritário liderado pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do qual faz também parte o Unidas Podemos (extrema-esquerda).

A moção de censura foi rejeitada por 298 dos 350 deputados do congresso dos Deputados (câmara baixa das cortes espanholas) e apenas recebeu o apoio dos 52 membros do Vox, não tendo havido qualquer abstenção.

Esta foi a quinta moção de censura desde o início da atual época democrática espanhola iniciada em 1976.

A última, em junho de 2018, permitiu à esquerda derrubar o então primeiro-ministro Mariano Rajoy, líder do PP na altura, na sequência de um caso de corrupção em grande escala.

Essa moção de censura foi aprovada graças aos votos do PSOE, Unidas Podemos, nacionalistas bascos e independentistas catalães, permitindo a Pedro Sánchez, o líder do PSOE, tornar-se chefe de um governo minoritário.

No atual parlamento, o PSOE tem 120 deputados, seguido pelo PP com 88, o Vox com 52, o Unidas Podemos com 35 e o Cidadãos (direita liberal) com 10, para só citar algumas formações.

Na apresentação da moção de censura, na quarta-feira, o líder do Vox, Santiago Abascal, atacou aquele que considera ser "o pior governo em 80 anos" da história de Espanha, incluindo o regime de Franco, e criticou a política de saúde do governo na luta contra a covid-19.

Abascal acrescentou que o atual executivo liderado pelo socialista Pedro Sánchez é "uma frente popular que governa com terroristas e com separatistas".

Na resposta, o primeiro-ministro espanhol acusou o partido de extrema-direita e o seu líder de terem apresentado uma moção de censura com a única intenção de "semear a discórdia e o ódio entre os espanhóis ".

Pedro Sánchez defendeu que a iniciativa apenas servia para "promover a propaganda" da extrema-direita, provocar o "confronto" e "gastar as energias" que deveriam ser dedicadas à resolução dos problemas do país.

O chefe do Governo espanhol criticou que durante a intervenção de Santiago Abascal este não tenha dito mais nada que não fossem "insultos" e "desqualificações", sem que tenha sido feito "uma única proposta" concreta.

O debate da moção de censura desta manhã foi marcado por uma discussão muito viva entre os líderes do PP e do Vox e também pela intervenção em representação do Governo, do vice-presidente Pablo Iglesias, que também é o líder do Podemos.

O líder do PP, Pablo Casado, atacou a "perda de tempo" e a "moção de embuste" que esta iniciativa da Vox representa.

Casado dirigiu-se sempre a Santiago Abascal como o candidato a primeiro-ministro e advertiu que estava demonstrado que não tem aptidões para presidir ao Governo.

Por seu lado, Santiago Abascal, visivelmente perturbado com a intervenção de Pablo Casado, disse que este poderia, pelo menos, ter-lhe agradecido o apoio do seu partido ao PP para governar nas regiões de Madrid, Andaluzia e Múrcia.

O vice-presidente do Governo, Pablo Iglesias, reconheceu que o discurso com que o líder do PP se dissociou do Vox foi "brilhante" mas avisou-o que tinha chegado "tarde" porque a sua aliança com o partido de Abascal está a fazer com que o "monstro" seja cada vez maior: "Deram oxigénio ao monstro e agora o monstro está a devorá-los", advertiu Iglesias na sua intervenção.

Vox, que foi fundado em 2014 e reivindica o legado da ditadura de Francisco Franco (1939/75), tem conseguido desviar a seu favor uma parte dos votos do PP, colocando-o numa posição muito difícil, para grande satisfação da esquerda, principalmente do PSOE, o partido que mais beneficiou com a divisão da direita.

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