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Eleições: Países do Golfo preferem Trump, mas preparam-se para Biden

A primeira visita ao estrangeiro do Presidente norte-americano, Donald Trump, foi à Arábia Saudita, em 2017, e simboliza a aliança sem falhas entre a sua administração e as monarquias árabes do Golfo face ao Irão.

Eleições: Países do Golfo preferem Trump, mas preparam-se para Biden

Hoje, segundo analistas, os líderes desses países apoiam o seu parceiro que naquela deslocação a Riade participou numa dança tradicional, de espada na mão, e que procura num segundo mandato consagrar o isolamento do Irão e a posição de Israel como sócio regional.

No entanto, o Golfo prepara-se para uma possível eleição do democrata Joe Biden, que provavelmente tentará negociar com o Irão e adotar uma retórica mais pró-ativa em relação aos direitos humanos.

Os laços calorosos de Trump com os líderes do Golfo contrastam com o relacionamento mais frio do seu antecessor, Barack Obama, que com a defesa do acordo nuclear com o Irão de 2015 consternou a Arábia Saudita, líder das monarquias do Golfo e grande rival da República Islâmica.

O republicano Donald Trump foi recebido como um herói em Riade, onde recebeu a mais alta condecoração saudita, atacou o Irão e ignorou a questão das violações dos direitos humanos na Arábia Saudita.

A estratégia não convencional e impulsiva de Trump redesenhou desde então o cenário regional.

"Ele fez com que as relações entre os Estados Unidos e os países do Golfo sejam mais baseadas em laços pessoais (...) do que em instituições", considerou Randa Slim, diretora para a resolução de conflitos no Instituto do Médio Oriente, sediado em Washington.

Trump retirou o seu país do acordo internacional sobre o nuclear iraniano, ordenou o assassínio do poderoso general iraniano Qassem Suleimani no Iraque, transferiu a embaixada norte-americana em Israel para Jerusalém e decidiu reduzir a presença militar dos Estados Unidos na região.

Confiou o dossier do Médio Oriente ao seu genro Jared Kushner, sem experiência diplomática, que estabeleceu relações pessoas com os líderes do Golfo, incluindo o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

O príncipe conhecido como MBS foi acusado no assassínio, em outubro de 2018, do jornalista saudita Jamal Khashoggi, morto no consulado do seu país em Istambul. Mas a Casa Branca bloqueou resoluções anti-sauditas no Congresso sobre o assassínio.

"Salvei-o", disse Trump na altura, referindo-se a MBS.

Segundo Elham Fakhro, especialista do Golfo no International Crisis Group, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, outro país do Golfo, "partilham a opinião de que o governo (do anterior presidente Barack) Obama abandonou os seus aliados tradicionais do Golfo".

"A Arábia Saudita melhorou significativamente as suas relações com a administração Trump, em parte graças à decisão desta de impor a campanha de pressão máxima" ao Irão e ao seu setor petrolífero, sublinhou a analista.

Donald Trump também marcou pontos ao patrocinar acordos de normalização dos Emirados e do Bahrein com Israel, assinados a 15 de setembro na Casa Branca. Os acordos deram ao Estado hebreu uma posição sem precedentes no Golfo e foram vistos como uma vantagem para um segundo mandato do presidente norte-americano.

Riade e Abu Dahbi estão agora preocupados com "o levantamento das sanções contra o Irão" que uma futura administração democrata pode eventualmente decidir, disse Fakhro.

Trump também está "mais disposto a que as vendas de armas a esses Estados sejam feitas mais rapidamente" e é pouco provável que o democrata Joe Biden faça o mesmo, adiantou.

Randa Slim, diretora para a resolução de conflitos no Instituto do Médio Oriente, não exclui que as relações entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita passem por "um período de congelamento profundo" se Biden ganhar as eleições norte-americanas e se MBS se tornar o rei saudita.

"Será difícil para os sauditas, mas terão de conviver com isso", declarou James Dorsey, especialista no Médio Oriente.

"A visita histórica de maio de 2017 (a Riade) marcou o início de uma relação excecional com o presidente norte-americano e abriu numerosas portas", declarou à agência France Presse um responsável do Golfo que não quis ser identificado.

"Os decisores aqui queriam logicamente que essas portas continuassem abertas, mas não são cegos e preparam-se também para o outro cenário", uma vitória de Joe Biden, acrescentou.

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