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Académicos polacos contestam novo ministro da Educação "fundamentalista"

Ativistas vestidos com coletes refletores subiram hoje à varanda de um edifício do Ministério da Educação polaco e penduraram uma faixa contra a nomeação de um novo ministro que consideram um fundamentalista religioso perigoso para a juventude.

Académicos polacos contestam novo ministro da Educação "fundamentalista"
Notícias ao Minuto

13:10 - 21/10/20 por Lusa

Mundo Przemyslaw Czarnek

Vários académicos e professores universitários da Polónia têm protestado contra a nomeação de Przemyslaw Czarnek para o Governo, lembrando que o novo ministro defendeu que as pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgénero) não são iguais às "pessoas normais" e que as mulheres foram criadas para ter filhos, além de apoiar castigos físicos aos filhos.

A faixa que dois ativistas penduraram na varanda dizia "Boicote a Czarnek. Homofóbico. Xenófobo. Fundamentalista", mas foi removida rapidamente por seguranças antes de o ministro chegar ao trabalho, enquanto um grande grupo de polícias apareceu para os interrogar.

Os dois ativistas -- um dos quais era Rafal Suszek, um professor assistente de Física da Universidade de Varsóvia - estavam vestidos com coletes de segurança cor de laranja e com capacetes e usaram uma longa escada para subir até a uma varanda e pendurar a faixa.

"Um homem com 'visões retrógradas' como Czarnek não devia ter permissão para assumir uma posição de autoridade", defendeu Suszek a um polícia que o questionou.

"Czarnek representa um 'vírus do ódio' mais perigoso do que o coronavírus", acrescentou.

O professor assistente da Universidade de Varsóvia adiantou à Associated Press que foi acusado, em conjunto com o seu companheiro ativista, de pendurar faixas ilegalmente e de não aderir às regras de distanciamento social impostas para combater o contágio de covid-19.

Suszek é um dos 2.700 professores e outros académicos que assinaram uma petição na qual prometem boicotar Czarnek, um membro do partido conservador no poder, o Lei e Justiça, que tomou posse esta semana.

Nomeado na sequência de uma remodelação recente do Governo, Czarnek é responsável por supervisionar o sistema de escolas e universidades do país.

Na cerimónia de posse, o Presidente polaco, Andrzej Duda, considerou que Czarnek vai ajudar a restaurar algum equilíbrio ideológico ao meio académico, que, na sua opinião, tem sido dominado por pontos de vista de esquerda.

Os académicos que se lhe opõem veem, no entanto, Czarnek - que participou em manifestações organizadas por movimentos de extrema-direita como o National Radical Camp - como um extremista e fundamentalista religioso que ameaça prejudicar o sistema educativo da Polónia.

Estes opositores afirmam recear que a hostilidade do novo ministro para com gays e lésbicas signifique que não irá proteger as jovens minorias sexuais e que poderá tentar suprimir a investigação académica que se dedica ao estudo de género.

"Está a acontecer uma violação simbólica da educação e da ciência polacas diante dos nossos olhos", refere a petição, apelando aos membros da comunidade académica para que boicotem eventos em que Czarnek participe e recusem participar no trabalho de quaisquer órgãos colegiais que possam subverter os valores humanísticos.

Os ativistas prometem, no entanto, que não tomarão medidas que prejudiquem as instituições, como suspender as aulas.

Durante a campanha presidencial deste verão, que culminou na reeleição de Duda para um segundo mandato, Czarnek, que trabalhou nessa campanha, causou polémica com a sua linguagem relativamente a pessoas LGBT.

"Temos de nos proteger contra a ideologia LGBT e parar de ouvir idiotices sobre direitos humanos ou igualdade. Essas pessoas não são iguais às pessoas normais", disse na altura.

As declarações, transmitidas na televisão, causaram grande alvoroço, mas Czarnek garantiu que tinham sido retiradas de contexto e assegurou considerar que "as pessoas LGBT são pessoas" e que "a ideologia LGBT é ideologia".

Professor de Direito na Universidade Católica de Lublin, Czarnek também se referiu às pessoas LGBT como tendo "comportamentos desviantes", declarações que o levaram a ser alvo de um processo disciplinar instituído pela universidade.

O novo ministro, que tem 43 anos e é pai de dois filhos, também defendeu que os pais têm, em certas condições, o direito constitucional de infligir castigos corporais aos filhos e sugeriu que o papel principal das mulheres é ter filhos, devendo começar a sua missão o mais cedo possível.

Numa palestra realizada no ano passado na universidade, Czarnek argumentou que a mensagem da sociedade moderna de que as mulheres podem seguir primeiro uma carreira "e, só depois, talvez, ter um filho, tem consequências terríveis".

"O primeiro filho não nasce aos 20-25 anos, mas aos 30. Quando o primeiro filho nasce aos 30, quantas mais crianças podem nascer? Essas são as consequências de dizer a uma mulher que ela não tem de fazer o que Deus a chamou para fazer", disse Czarnek, cuja mulher tem um doutoramento em Biologia e é professora na universidade.

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