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Papéis do Panamá: Firma Mossack-Fonseca vendeu empresas a banco alemão

Ramón Fonseca, sócio do escritório de advogados Mossack-Fonseca, epicentro do escândalo Papéis do Panamá, afirmou na segunda-feira que a firma vendeu "sociedades a um banco alemão que as revendeu a empresários" daquele país europeu.

Papéis do Panamá: Firma Mossack-Fonseca vendeu empresas a banco alemão

A afirmação de Fonseca foi publicada na sua conta da rede social Twitter na segunda-feira, após ter sido conhecido que um tribunal de Colónia, Alemanha, emitiu ordens de detenção contra ele e o seu sócio Jürgen Mossack, por fraude fiscal e associação criminal relativamente ao caso Papéis do Panamá, investigação internacional por branqueamento de dinheiro.

"Na Alemanha, vendemos sociedades a um banco alemão que as revendeu a empresários que as usaram para questões fiscais das quais não temos nada a ver. Incluíram-nos, na minha opinião, para continuar com o ataque de descrédito que a União Europeia tem contra o Panamá", escreveu Fonseca.

"A União Europeia está repleta de funcionários principalmente franceses e alemães, que são socialistas/comunistas de cabeça a baixo. Por isso é estão indo tão mal e a Inglaterra, inteligente, fugiu", acrescentou.

Um tribunal de Colónia emitiu ordens de detenção contra Jürgen Mossack e Ramón Fonsca por fraude fiscal e associação criminal no caso dos Papéis do Panamá, uma investigação internacional por branqueamento de dinheiro, anunciaram na segunda-feira os media alemães.

Um porta-voz do Ministério Público de Colónia, cidade do oeste alemão, confirmou a existência de "duas ordens internacionais de detenção" sem precisar a quem, mas o Süddeutsche Zeitung e os canais de televisão NDR e WDR avançaram que se tratava de Mossack e Fonseca.

De acordo com o Süddeutsche Zeitung, as autoridades alemãs esperam que Mossack, que tem família na Alemanha, enfrente voluntariamente um processo judicial e que, como parte de um acordo e devido à sua idade (72 anos), possa evitar uma sentença mais longa.

O diário estima que também poderá livrar-se de um processo penal nos Estados Unidos, já que, se Mossack for julgado na Alemanha, as autoridades norte-americanas provavelmente não voltariam a julgá-lo sobre os mesmos crimes.

Por sua vez, os canais NDR e WDR acrescentam que as autoridades alemãs aparentemente reuniram provas suficientes para emitir ordens de detenção contra os fundadores da empresa do Panamá.

No entanto, recordam que a justiça alemã, em princípio, terá dificuldade em deter se não se entregarem voluntariamente, uma vez que tanto Mossack como Fonseca têm passaporta do Panamá e este país não extradita os seus cidadãos.

Os três meios de comunicação social alemães acrescentam que ainda neste mês, registaram-se buscas num domicílio localizado na 'Land' de Hesse (centro) relacionadas com uma investigação sobre um parten de Mossack que vive na Alemanha e tem interesses numa empresa registada no Panamá através do escritório de Mossack-Fonseca e que não tunha declarado às autoridades fiscais alemãs.

Os Papéis do Panamá resultam de uma fuga de documentos do escritório de advogados panamense Mossack-Fonseca ao citado diário alemão e ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

Estes documentos revelaram a ocultação de propriedades de empresas, ativos, lucros, evasão fiscal de chefes de Estado e de Governo, líderes da política mundial, pessoas políticamente expostas e personalidades das finanças, negócios, desporto e artes.

Em abril de 2016, centenas de meios de comunicação tiveram acesso à base de dados da empresa Mossack-Fonseca e revelaram que personalidades de todo o mundo contrataram os seus serviços para criar sociedades 'offshore' e alegadamente fugir aos impostos.

Em fevereiro de 2017, Mossack e Fonseca foram detidos preventivamente no Panamá, mas em abril desse ano saíram após o pagamento de uma fiança de 500 mil dólares. Não podem sair do país sem autorização judicial.

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